Internacional

Irã admite que abateu avião da Ukraine Internacional Airlines

O Irã anunciou neste sábado (11) que seus militares derrubaram sem intenção o Boeing 737-800 da companhia Ukraine Airlines International (UAI) na quarta (8) perto de Teerã. Na tragédia morreram 176 pessoas. O presidente iraniano, Hassan Rouhani, chamou o desastre de “erro imperdoável”.

Militares informaram que o avião voava perto de um local sensível e foi derrubado devido a um erro humano. O comunicado lido na TV estatal diz que as partes ​​responsáveis serão punidas.

Operador tomou ‘má decisão’

Amir Ali Hajizadeh, o comandante das forças aeroespaciais, afirmou que a Guarda Revolucionária aceita a responsabilidade plena pelo incidente.

A Guarda Revolucionaria explicou que o operador do sistema de defesa confundiu o avião com um míssil de cruzeiro.

Hajizadeh afirmou em uma declaração televisionada que o operador tentou contatar seus superiores para obter a aprovação para efetuar o disparo, mas que o sistema de comunicação falhou e ele tomou “uma má decisão”. O avião foi derrubado por um míssil de curto alcance, segundo ele.

O presidente iraniano, Hassan Rouhani, escreveu em uma rede social que uma investigação interna das Forças Armadas concluiu que a aeronave foi abatida por mísseis. Segundo o líder do Irã, as apurações sobre “essa grande tragédia e erro imperdoável” continuam.

O líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, manifestou seus “profundos sentimentos” às famílias das vítimas e pediu para que as forças armadas “busquem os erros prováveis e a culpa no incidente doloroso”.

Rouhani também declarou que seu país “lamenta profundamente”. As Forças Armadas iranianas prestaram condolências a todas os parentes das vítimas. O ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohamad Zarif, também disse lamentar profundamente e pediu desculpas às famílias e aos mortos.

“É um dia triste”, escreveu Zarif, o ministro de Relações Exteriores, em uma rede social, citando um “erro humano em tempos de crise causada pelo aventureirismo dos americanos. Nosso profundo arrependimento, desculpas e condolências ao nosso povo, às famílias de todas as vítimas e às outras nações afetadas”.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, cobrou um pedido oficial de desculpas de Teerã e pediu que as investigações sobre o desastre continuem.

Presidente da Ucrânia exige admissão total de culpa

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que aguarda a “admissão total de culpa” do Irã após o país árabe admitir que derrubou por engano o avião ucraniano.

Em uma rede social, Zelensky disse que espera que o Irã leve os responsáveis ​​à Justiça e cobrou um pedido oficial de desculpas e que as investigações sobre o desastre continuem.

“Esta manhã traz a verdade. A Ucrânia insiste na admissão total de culpa. Esperamos que o Irã leve os responsáveis ​​à justiça, devolva os corpos, pague uma indenização e faça um pedido oficial de desculpas. A investigação deve estar completa, aberta e continuar sem atrasos ou obstáculos”, escreveu Zelensky.

Líder do Canadá também pede investigação

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, também reagiu à admissão de culpa por parte do Irã: seu governo busca uma investigação e cooperação das autoridades iranianas, disse ele, em um comunicado. O voo levava 57 canadenses.

Trudeau disse que agora o Irã reconhece que o avião foi derrubado por suas próprias forças armadas. “Nosso foco continua a busca por um desfecho, responsabilização, transparência e justiça para as famílias e entes queridos das vítimas. Essa é uma tragédia nacional, e todos os canadenses estão lamentando juntos”, afirmou.

Ele e Zelensky conversaram por telefone, de acordo com um comunicado da presidência da Ucrânia.

Indícios

Canadá, Reino Unido e EUA diziam que o avião, um Boeing 737, foi abatido por um míssil iraniano, provavelmente por engano, e vários vídeos que apontam para esta tese foram postados nas redes sociais.

O Irã, entretanto, negava categoricamente a hipótese até a manhã deste sábado. Na sexta-feira (10), o chefe de aviação civil iraniano, Ali Abedzadeh, mostrou imagens da caixa-preta da aeronave e afirmou que qualquer declaração antes da análise dos dados seria “opinião”.

Fonte: G1

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