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ITA irá configurar Airbus A320 com 110 assentos

Em entrevista ao Folha de São Paulo, o empresário Sidnei Piva, dono do grupo Itapemirim, revelou mais detalhes sobre as operações e aviões da ITA.

É viável lançar uma companhia aérea em meio a uma das maiores crises que o setor tem passado?
Encaro como a melhor oportunidade. A Itapemirim hoje, pela estrutura terrestre, já é a maior companhia aérea do Brasil. Já temos toda estrutura logística de terra. Temos 63 garagens espalhadas pelo Brasil. E praticamente todas estão ao lado de aeroportos. A base mais distante de um aeroporto fica a 7km. Então, temos a integração logística para o aéreo como nenhuma outra companhia. Isso diminui muito o custo da empresa. Além disso, contamos com 2 mil agências de vendas de passagem, com todo o sistema integrado. Temos um poder forte de venda.

Como a companhia aérea pretende operar?
A Viação Itapemirim cobre 19 estados do Brasil, em malha rodoviária. Nós vamos estender todo atendimento. Vai ser um molde diferente de trabalhar, mas eu não quero contar ainda para as outras empresas não copiarem. Além disso, vamos atuar com o melhor equipamento, que é o Airbus 320. Recebemos dez aviões em novembro. Cada aeronave comporta 160 pessoas, mas pedimos uma disposição para apenas 110 passageiros. As poltronas serão maiores e com mais espaço entre elas.

Nós também já temos todo o processo de logística de transporte de mercadoria e isso vai ser unificado com aérea e terrestre em 2.700 cidades do Brasil. O projeto inicial prevê 16 aeroportos, mas ainda estamos definindo quais. Um deles será em São Paulo, evidentemente.

Qual o impacto das mudanças apresentadas no programa Voe Simples, com medidas de desregulamentação da aviação para reduzir custos de companhias de pequeno porte que operam no interior do país?
Gigantesco. Com as mudanças apresentadas pelo governo, temos a possibilidade de pensar diferente. Temos também possibilidade de ter nosso próprio aeroporto, sozinhos. É inadmissível ter apenas três companhias aéreas no Brasil e monopólio dos aeroportos.

Querem ter aeroportos?
Vamos participar de todas as concessões de aeroportos do país. Estamos aguardando os editais. Esse projeto já estava nos nossos planos, mas foi adiado pela pandemia. Nosso projeto é criar o maior programa de mobilidade de pessoas do Brasil. Vai do metrô ao avião. É um programa gigantesco. A companhia aérea já nasce com a estrutura das maiores do mundo.

Vocês anunciaram em Dubai um aporte de US$ 500 milhões (R$ 2,7 bilhões) de um dos fundos árabes soberanos. O que aconteceu?
O dinheiro ainda não chegou, mas as garantias já chegaram. Temos essa captação de US$ 500 milhões efetivada com o fundo árabe. Os papéis estão assinados e esse dinheiro chega assim que conseguirmos todos os certificados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Estamos na fase três de uma certificação de cinco. Deu uma atrasada por conta da pandemia, mas devemos concluir nos próximos 45 dias. Já fui três vezes para os Emirados Árabes Unidos. Vou mais uma vez no final do ano para trazer o dinheiro. E só depois que o dinheiro entrar na conta é que eu posso dizer o nome do fundo.

E como colocar a empresa em pé sem esse aporte?
Já fizemos um aporte de R$ 150 milhões que vieram de investimento próprio e pequenos e médios investidores brasileiros. Além disso, fundos dos Estados Unidos também entraram em contato. Se eu for pegar tudo o que está sendo oferecido, não tenho onde por ainda.

Temos grandes projetos. Vamos participar de uma licitação do metrô de São Paulo, que vai prever um investimento de R$ 3 bilhões. Então, os fundos vão investindo conforme a oportunidades forem se concretizando. Também vamos lançar um banco digital no final de novembro. A ideia é integrar todo o consumo. Vamos financiar da passagem até a casa própria. Também teremos seguro, cartão de crédito, débito. Entre nossos planos, estamos em fase de acabamento de um ônibus elétrico no Brasil. Tecnologia nossa, própria.

Fonte: Folha de SP

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