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Airbus A350 viajará de Sidney para a Londres pelo Polo Norte

Um novo avião preparado para permanecer entre 20 e 22 horas no ar deverá realizar, a partir de outubro de 2027, a rota comercial sem escalas mais longa do mundo. O projeto da companhia aérea australiana Qantas em parceria com a Airbus prevê ligar Sidney a Londres em um único voo, eliminando as tradicionais conexões entre a Austrália e a Europa e estabelecendo um novo marco na aviação comercial.

A viagem, porém, não seguirá sempre a rota convencional utilizada atualmente pelos voos entre a Oceania e o continente europeu. Em vez de cruzar o Sudeste Asiático, o Oriente Médio e a Europa, a aeronave deverá contornar a Ásia, passando ao leste do Japão, e seguir em direção ao Polo Norte, passando por regiões próximas à Groenlândia e ao Ártico antes de descer em direção ao Reino Unido. Esta rota deve ser a adotada em pelo menos 20% desses voo, especialmente durante o inverno do Hemisfério Norte.

Segundo o piloto-chefe técnico da Qantas, Alex Passerini, a escolha da rota ocorre por razões operacionais e meteorológicas. De acordo com ele, evitar ventos em certas épocas do ano será mais eficiente para a viagem e também mais rápido. Embora companhias aéreas já passem pela região, esta rota será uma novidade para aeronaves australianas.

— Toda a abordagem é muito diferente do que costumávamos fazer. No fim das contas, estamos voando sobre o Pacífico Norte, Alasca, Groenlândia, Islândia e entrando em Londres pelo norte. A fase de planejamento é extremamente importante porque define a quantidade de combustível a ser carregada na aeronave, o tempo de voo e quaisquer restrições aplicadas à rota — explicou o piloto ao site de notícias australianos News.com.au.

Além da ligação entre Sidney e Londres, a Qantas também pretende operar voos sem escalas entre Sidney e Nova York utilizando a mesma aeronave. O objetivo da empresa é conectar diretamente a costa leste da Austrália a alguns dos principais centros financeiros do mundo, reduzindo o tempo total de viagem e eliminando conexões internacionais.

Os novos voos fazem parte do chamado Projeto Sunrise, iniciativa da companhia australiana destinada a tornar viáveis as rotas ultralongas. Para isso, a empresa encomendou versões especialmente adaptadas do Airbus A350-1000, que foram batizadas como A350-1000ULR, e receberão modificações para ampliar a autonomia e melhorar o conforto dos passageiros.

As aeronaves contarão com tanques de combustível adicionais e capacidade de passageiros reduzida em comparação aos modelos convencionais. Em vez de transportar mais de 300 passageiros, os aviões deverão levar cerca de 238 pessoas, distribuídas entre primeira classe, executiva, econômica premium e econômica. Haverá ainda um revezamento entre pilotos.

A configuração interna foi projetada para tornar suportável uma viagem que poderá ultrapassar 20 horas. Os passageiros terão áreas destinadas a alongamentos e movimentação durante o voo.

A Qantas também desenvolveu estudos com especialistas em medicina do sono, nutrição e fadiga. O objetivo é reduzir os efeitos do fuso horário e do longo período dentro da aeronave. A iluminação da cabine, os horários das refeições e até os momentos de descanso foram planejados para ajudar os passageiros a se adaptarem ao destino.

O A350-1000ULR já concluiu uma das etapas mais importantes de seu desenvolvimento. A Airbus informou que a aeronave completou com sucesso seu voo inaugural em Toulouse, França, onde permaneceu no ar por 3 horas e 42 minutos e atingiu uma altitude de mais de 41 mil pés.

Quando entrar em operação, o voo entre Sidney e Londres deverá se tornar a ligação comercial sem escalas mais longa do mundo, com duração estimada de 18 a 20 horas, podendo chegar a 22 horas, inaugurando uma nova era das viagens aéreas de ultralonga distância.

Fonte: O Globo

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