Aeroportos

Governo do Pará cancela voos internacionais

O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), anunciou no sábado (21), durante coletiva, que todos os voos internacionais do estado estão cancelados. O Pará recebe voos diretos do Suriname, país vizinho do Brasil e cujo fluxo aeronáutico principal é Belém, capital paraense. “Todos os voos internacionais do Estado estão cancelados. Portanto, não há previsão de voo internacional para o Estado do Pará”, disse Barbalho, depois do comunicado da embaixada do Brasil no Suriname sobre a chegada de um avião de Paramaribo, trazendo pelo menos 100 brasileiros, sobre os quais não foi fornecida nenhuma informação.

Mesmo a gestão dos aeroportos não sendo competência dos governos estaduais e sim do governo federal, Helder Barbalho afirmou que fez isso para proteger a população de um possível contágio. Hoje o estado tem dois casos confirmados do coronavírus, ambos com suspeita de contágio no Rio de Janeiro. Assim que soube da informação, na noite de ontem, Barbalho entrou com medida cautelar para que a Justiça determinasse a quarentena dos passageiros que pudessem ter sintomas do coronavírus, sob a responsabilidade da Anvisa.

O pedido foi atendido pelo juiz federal de plantão, Rui Dias de Souza Filho. O governador paraense voltou a se pronunciar nas redes sociais oficiais, onde leu a decisão. “O juiz autoriza o estado, através da Secretaria de Saúde, a realizar exames em todos os passageiros, no momento do desembarque; de acordo com exames clínicos, podem ser determinados à quarentena aqueles que apresentem alterações, inclusive com possibilidade de ser conduzidos a alojamentos escolhidos pelo governo até que haja diagnóstico de exames, assim como vale também para o prosseguimento da viagem dos demais”, disse o Barbalho.

Hélder anunciou ainda que os ministros Sérgio Moro, da Justiça e Segurança Pública, e o general Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, acolheram seu pedido para que os passageiros que não sejam nativos ou não tenham como destino o Pará sejam levados ao seu destino pela mesma aeronave e, também se ofereceu para pagar passagens. “Comuniquei ao ministro Sérgio Moro e ao general Ramos que só desce em Belém e sai do aeroporto paraense. Quem for de outros estados ou o governo federal arruma o voo para eles irem para os destinos finais ou nós vamos comprar passagem de conexão. Se não aceitar passagem, se não aceitar o voo que por ventura possa ser arrumado pelo governo federal, nós usaremos o poder da polícia do estado e não permitiremos que possa transitar, sem destino, sem prazo, correndo o risco de ficar circulando pelas ruas do nosso estado contaminando eventualmente a população”, afirmou.

O governador explicou o esquema para recebimento dos passageiros. Os paraenses serão os primeiros a descer da aeronave, receberão máscaras, será feita a verificação de sintomas e testagem para o vírus. “Nós vamos obrigá-los a assinar um termo de responsabilidade e compromisso que farão a quarentena domiciliar por 14 dias, sob pena de ser responsabilizado pelo descumprimento desta norma. Quem tiver sintoma, o tratamento será diferenciado”, afirmou Hélder. O governador paraense informou ainda que todos os passageiros, sendo paraenses ou não, tendo sintomas ou não, serão examinados para verificação de sintomas e serão testados para o coronavírus. Os que tiverem sintomas serão encaminhados para tratamento médico. No caso dos que tem conexão, serão acompanhados por polícias militares. Para os que não têm passagem, o governo paraense se oferece para pagar.

Críticas

Na coletiva, Helder Barbalho foi questionado sobre a decisão de suspender os voos internacionais sem seguir as orientações dadas pelo presidente Jair Bolsonaro, de que as decisões fossem feitas em conjunto com o governo federal. Hélder disse que foi procurado por uma representante da área de assuntos federativos do governo federal, que informou que haveria uma videoconferência com Jair Bolsonaro pela manhã, mas que estava desde as 10h da manhã no Palácio do Governo e não houve nenhuma manifestação.

Sobre a decisão, Barbalho disse que não tem nada contra o governo gederal, mas disparou críticas em sua fala. “Uma coisa é fato: nós não temos nada contra o governo federal, nós não queremos agir contra governo federal. Agora, nós não vamos ficar esperando o governo federal agir. Nós vamos fazer aquilo que cabe ao governo do estado e não vou pedir licença para presidente, para ministro, para ninguém, para proteger os paraenses. Se quiserem ajudar serão muito bem-vindos, mas eu não vou ficar esperando que eles decidam o que fazer, enquanto as coisas estão acontecendo eu preciso proteger o povo do Pará.”

Fonte: UOL

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