
A South African Airways (SAA), em um novo corte para reorganizar a empresa, que passa por dificuldades financeiras, decidiu deixar de voar para o Brasil, depois de 50 anos de operação ininterruptos. Munique, Hong Kong e Guangzhou (que ia ser lançada) foram outras rotas descontinuadas.
Segundo o country manager Altamiro Médici, os voos entre São Paulo e Johanesburgo se encerrarão no dia 29 de fevereiro e a companhia vai criar canais de atendimento para reacomodação dos passageiros. “Todos serão reacomodados”, garante ele, que está ligando pessoalmente para as entidades do setor.
Alguns voos regionais estão sendo cancelados também e mais detalhes serão dados em breve. A SAA tem 25 funcionários no Brasil, além dos terceirizados.
Todos os voos domésticos da SAA também deixam de ser operados em 29 de fevereiro, com exceção de algumas poucas ligações para Cape Town. Voos regionais na África também serão cancelados parcialmente.
A Mango, empresa low cost pertencente à SAA, não terá sua malha alterada e continuará operando voos domésticos e regionais, conectando os passageiros internacionais da South African Airways.
Decisão
A decisão de encerrar a operação da SAA no Brasil foi dos chamados Business Rescue Practitioners (BRPs) da empresa (Les Matuson e Siviwe Dongwana), que tentam salvar a companhia sul-africana em meio a sua maior crise. Os dois têm trabalhado junto a credores, especialistas e governo para apresentar, no final de fevereiro, um plano de reestruturação da companhia.
No plano, além do corte de rotas consideradas não rentáveis, estão o uso de aeronaves mais eficientes no consumo de combustível, nova estrutura organizacional e renegociação de contratos com fornecedores-chave.
“As iniciativas nas quais estamos trabalhando agora irão fortalecer o negócio da SAA. Acreditamos que o plano irá trazer de volta a segurança de nossos clientes fieis. Estamos focados em restaurar a saúde comercial da SAA e criar uma companhia da qual os sul-africanos possam se orgulhar”, disseram os gestores de crise da empresa.
Apesar de ter cancelado rotas como Munique, Hong Kong e São Paulo, a SAA diz que continuará voando de Johanesburgo para Frankfurt, Londres, Nova York, Peth e Washington (via Accra). Serviços regionais que continuarão incluem voos de Johanesburgo para Blantyre, Dar es Salaam, Harare, Kinshasa, Lagos, Lilongwe, Lusaka, Maputo, Mauritius, Nairobi, Victoria Falls e Windhoek.
Malha
No dia 29 de fevereiro serão fechados os voos regionais para Abidjan via Accra, Entebbe, Livingston, Luanda e Ndola.
Cape Town continuará sendo servido por voos, mas em uma quantidade reduzida. Todos os demais destinos domésticos, incluindo Durban, East London e Port Elizabeth, deixam de ser operados em 29 de fevereiro. As rotas da subsidiária Mango não serão afetadas.
Os gestores dizem que não há intenção de novas mudanças significativas na malha da SAA. “Passageiros e agentes podem ficar confiantes em fazer reservas na SAA”, dizem eles em comunicado. Os gestores da crise também estão analisando a venda de ativos da South Africa Airways.
Alternativas
Segundo a diretora da Queensberry, o destino não deixará de ser oferecido e as rotas feitas por Latam e Ethiopian Airlines passam a ser as principais opções. Atualmente, a companhia latino-americana faz o trecho entre São Paulo e Johanesburgo cinco vezes por semana. Mas há planos para aumentar a frequência.
As rotas alternativas também foram um ponto citado pelo diretor da operadora paulista Viagens & Cia, Thiago Cuencas. O executivo conta que foi avisado pela manhã em ligação do country manager da SAA no Brasil, Altamiro Médici. Cuencas agora aguarda recomendações para reacomodação dos passageiros que têm bilhetes comprados para depois de fevereiro. “Hoje há muitas opções para chegar à África. Como com Latam, TAAG Linhas Aéreas de Angola e Ethiopian Airlines. E, certamente, vamos buscar novas condições com a Latam e demais companhias africanas”, aponta.
Na New Age, as passagens já compradas para os próximos meses não serão um grande problema, segundo informa o gerente do departamento Aéreo, Francisco Camilo. De acordo com ele, a operadora foi comedida com as requisições de viagens para a África do Sul, já considerando uma possível crise dentro da SAA. “Temos em torno de seis vendas (20 passageiros) que embarcarão para África depois de fevereiro”, informa.
Fonte: Panrotas
