
Atualizado 24/2 as 12h26 – Segundo o Wall Street Journal, a fabricante do Canadá está negociando a venda de sua divisão de jatos executivos para o grupo norte-americano Textron, donos das marcas Cessna e Beechcraft.
Citando pessoas familiarizadas com o assunto, a publicação americana afirma que a venda da Bombardier Business Aircraft ajudará a empresa canadense a pagar parte de sua dívida que passa dos US$ 10 bilhões. A fabricante não comentou o assunto.
Em janeiro, a Bombardier sinalizou que pode reduzir sua participação no programa A220 (ex-CSeries). A empresa canadense tem uma fatia de 34% no programa e havia se comprometido a manter investimentos na aeronave por mais cinco anos após a transferência para a Airbus, em 2018.
Ainda um importante nome na aviação executiva, a divisão de jatos executivos da Bombardier compete em um mercado que é difícil e instável para todas as fabricantes do setor. A oferta de produtos é enorme, com mais de 40 opções diferentes, mas a média de aeronaves entregues vem pairando na faixa de apenas 700 aviões por ano na última década.
Para a Textron, adquirir os jatos canadenses seria um passo imenso em tecnologia e a chance de atuar em mais categorias da aviação executiva com modelos de pequeno e médio porte. A linha de jatos executivos da Bombardier compreende as famílias Learjet, Challenger e Global.
Saindo do ar e entrando nos trilhos
Fundada em 10 de julho de 1942 pelo inventor canadense Joseph-Armand Bombardier, o famoso grupo canadense iniciou sua trajetória industrial construindo motos de neve (snowmobile). Em 1974 a empresa assinou seus primeiros acordos para desenvolver sistemas ferroviários no Canadá e somente na década seguinte, em 1986, ingressou na aviação ao adquirir a Canadair. Mais adiante a companhia também incorporou a de Havilland Canada, Short Brothers e a Learjet.
A Bombardier está em processo de reestruturação desde 2017 e vem promovendo severos cortes nas áreas de aviação. No ano passados, a empresa vendeu os direitos de produção e fábricas dos turboélices QSeries e dos jatos regionais CRJ, adquiridos pelo grupo canadense Longview Aircraft Capital (que “ressuscitou” a marca de Havilland Canada) e a Mitsubishi. Outra baixa foi a venda da divisão Short Brothers, na Irlanda do Norte, que pertencia ao grupo desde 1977.
Fora do ramo de snowmobiles (e outros veículos recreativos) desde 2003 e prestes a abandonar a aviação, restará a Bombardier focar no segmento ferroviário, onde tem longa tradição e algum fôlego para continuar viva de alguma forma no mercado.
Empresa nega venda
A Bombardier se concentrará exclusivamente na aviação executiva, depois de negar o repasse dessa divisão para a Textron Aviation, que administra as marcas Cessna, Beechcraft e Hawker Aircraft.
A empresa declarou que estaria vendendo a sua divisão ferroviária para a Alstom, pelo valor de US$ 7 bilhões. No comunicado a Bombardier ressaltou que suas atenções agora serão voltadas para o mercado de jatos executivos.
“No futuro, focaremos todo nosso capital, energia e recursos em acelerar o crescimento e impulsionar a expansão de margem em nossa franquia de aeronaves executivas, líder de mercado, com US$ 7 bilhões”, disse Alain Bellemare, executivo-chefe da Bombardier. “Nosso futuro no setor aeroespacial é com nossa franquia de jatos executivos líder do setor e vemos grandes oportunidades”.
Anteriormente a Bombardier vendeu suas linhas de aviões comerciais CRJ e QSeries para outras empresas do setor, e anunciou neste mês que venderia sua participação restante no programa CSeries para a Airbus e um banco de investimento do Canadá.
Atualmente a Bombardier tem uma família completa de jatos executivos, com as linhas Global, Challenger e Learjet. A empresa também vai manter uma divisão de pós-venda, para atender mais de 4800 aeronaves em todo o planeta.
Ao mesmo tempo, parte da dívida criada pela Bombardier nos últimos anos será paga com a venda das suas várias divisões, e de acordo com Bellemare, a empresa estará livre para investir em novos projetos.
A Bombardier entregou 142 jatos executivos em 2019, listando a fabricação de 54 aviões da linha Global, 76 da Challenger e 12 da linha Learjet.
Fonte: Airway
