Internacional

Presidente do México propõe rifar Boeing 787 oficial

Atualizado 29/1 as 12h27 – O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, afirmou na sexta (17) que considera colocar o avião presidencial em uma rifa. Essa seria uma das cinco opções para o destino da aeronave oficial da qual o chefe do governo mexicano quer se livrar.

Em coletiva de imprensa, López Obrador disse que a ideia seria permitir que cada interessado comprasse um bilhete de loteria por 500 pesos mexicanos — o que dá cerca R$ 110 cada um, com a cotação atual. Seis milhões de bilhetes seriam colocados à venda, segundo a proposta.

O avião presidencial é um Boeing 787-8 TP-01 comprado em 2012 pelo então presidente Felipe Calderón. “Pensei que fosse uma paródia”, disse o ex-mandatário ao saber da proposta de rifar a aeronave.

Obrador disse ainda que há uma proposta de um comprador que ofereceu US$ 125 milhões pelo avião — valor correspondente a cerca de R$ 520 milhões.

“Estamos falando de opções. A gente vai decidir o que é melhor”, disse.

As outras opções seriam:
– Entregar o avião aos Estados Unidos em troca de equipamento médico para hospitais públicos;
– Vendê-lo em partes a 12 empresas mexicanas com valor de US$ 11 milhões cada;
– Alugar a aeronave por hora.

Ele reconheceu, porém, que dificilmente conseguiria vender o aparelho em parcelas às empresas. “Não é fácil porque, se o presidente não usa, que empresa usaria um avião assim?”, disse López Obrador.

“Não deveriam ter comprado esse avião. Nem os mais ricos do mundo têm esses aviões.”

Em junho do ano passado, López Obrador afirmou que a venda do antigo avião presidencial e de outras aeronaves do último governo ajudarão a financiar os esforços para conter a migração ilegal rumo aos Estados Unidos.

Comprador

Um empresário sul-coreano chamado Pumsoo Ra sinalizou ao governo mexicano sua intenção de adquirir o 787. O magnata é fundador da Crianza Aviation, responsável pelo aluguel de aeronaves na Coréia do Sul, mas com clientes em todo o mundo.

O representante do empresário no México, Andrés Marcelo Arredondo Méndez, disse que vendê-lo ao seu representante sul-coreano é a melhor opção, pois eles deixariam de pagar os altos custos de manutenção e os juros dos contratos vigentes.

Desde que colocou a aeronave à venda, o governo mexicano recebeu várias propostas de compra, mas não conseguiu concluir nenhuma delas. O que mais se deseja no momento, é encerrar essa verdadeira novela mexicana.

Rifa

O presidente Obrador apresentou na manhã de terça (28), o bilhete da rifa com o qual o avião presidencia. O anúncio vem após a tentativa frustrada de negociar o avião com um empresário coreano.

A aeronave, com um custo de US$ 218 milhões, seria sorteada entre os mexicanos com seis milhões de “cachitos” (como os bilhetes são conhecidos por lá) da loteria local. O anúncio sucede a uma oferta frustrada de um comprador coreano, que havia expressado interesse pela aeronave.

Livrar-se do avião presidencial que ele descreveu como “faraônico” foi uma promessa de campanha do presidente da esquerda, mas um ano depois de ser colocado à venda, só causou despesas ao tesouro mexicano ficando estacionado na Califórnia. Sem ofertas concretas, López Obrador planejou sortear o avião entre a população.

O presidente informou que os recursos seriam destinados a hospitais que atendem gratuitamente às pessoas pobres e à compra de equipamentos médicos.

Embora o presidente mexicano já tenha apresentado o bilhete da rifa do luxuoso Boeing, com seus acabamentos de luxo, banheiros, sala de jantar e um quarto de luxo, a Lei da Loteria Nacional impede que o avião seja sorteado. “Existem muitos procedimentos legais que precisam ser resolvidos para tornar isso possível”, admitiu López Obrador na terça-feira em sua tradicional conferência de imprensa.

Assista a apresentação do presidente Obrador:

Embora a loteria seja uma das maneiras de vender o avião, o governo mexicano continua a considerar outros cenários

Compradores privados: além da oferta do coreano, o governo mexicano recebeu uma oferta de um comprador dos Estados Unidos por 125 milhões de dólares, mas não foi aceita pelo México, que espera uma oferta melhor.

Escambo: o México também propôs formalmente aos Estados Unidos a troca da aeronave pelo equivalente em equipamentos médicos, como ambulâncias, tomógrafos, aparelhos de raio-x e “tudo o que é necessário para hospitais”. Até o momento, Washington não respondeu à proposta, enquanto López Obrador esclareceu que eles usariam o maquinário ou os recursos de outras opções para equipar hospitais públicos.

Venda de peças: o presidente também pensou em vender “em partes” o avião para 12 empresa, portanto caberia a cada empresário pagar cerca de 11 milhões de dólares. Ao relatar que se encontrou com empresários como Carlos Slim, Carlos Salazar e Antonio del Valle, López Obrador pediu ao setor privado “que o ajudasse a reparar os danos”.

Aluguel: ao citar o caso de uma aeronave na Ásia que é alugada por US$ 70.000 / hora, o presidente considerou a opção de alugar a aeronave sob a administração da Força Aérea Mexicana. O veículo tem capacidade para voar 800 horas por ano, com um custo operacional de US$ 15.000 por hora.

Rifa: sorteio de 6 milhões de cachitos (bilhetes), de 500 pesos cada (cerca de 25 dólares), administrados pela Loteria Nacional, é a alternativa mais controversa proposta pelo governo mexicano. O vencedor também pode ganhar o serviço de operação do avião de um ou dois anos, disse o presidente.

“São as opções que temos. Estou certo de que as pessoas vão nos ajudar, como sempre”, afirmou.

Fonte: G1

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