
“Por incrível que pareça, muitos alunos nunca andaram de avião, alguns sequer entraram dentro de um”, relata a diretora da escola de aviação Flight, Aneli Lisboa. Foi para melhorar a qualificação dos interessados em trabalhar na área que a instituição adquiriu um Boeing de verdade. O modelo Boeing 737-241/Adv matrícula PP-VMH, de 1974, foi arrematado em um leilão da Varig, em 2012. Segundo Aneli, isso faz da escola de Porto Alegre ser a única no Brasil a dispor de uma aeronave real para as aulas.
“Nosso objetivo é que os alunos vivenciem um pouco mais da realidade da aviação. Nenhuma empresa vai permitir que uma pessoa treine em um voo ”, explica. Com peças faltando, foram necessários dois anos de trabalho para reorganizar a aeronave. “Essa obra é também dos alunos de mecânica. Hoje, as luzes da saída de emergência e o painel acendem. Ela só não voa”, pondera.
A escola está na Rua 18 de Novembro, 800, no bairro Navegantes, a próximo do aeroporto. Aneli não revela o investimento da aquisição, mas se diz recompensada ao ver o retorno.
A Flight possui formação de comissários de bordo (duração de seis a oito meses), piloto (quatro meses) e de mecânico de manutenção (dois módulos com duração total de dois anos). Para agregar valor aos currículos dos profissionais, foram elaboradas capacitações extras. “Temos um diferencial que é o pós-venda. Atuamos com cursos de dicção e oratória, primeiros socorros, antiterrosimo, passageiro inconveniente e familiarização da aeronave”, pontua.

A instituição existe desde 1998, quando abriu para formar comissários de voo. Foi em 1999, quando Aneli e o marido compraram o negócio, que foram implantados os demais serviços. Estar no mercado há tanto tempo, acredita, significa o resultado de credibilidade e constante inovação. Mesmo assim, a diretora elenca algumas crises, como uma ocorrida em 2001, na ocasião dos ataques às Torres Gêmeas, em Nova Iorque.
Atualmente, a empreendedora classifica o segmento de aviação como um dos poucos no País em expansão. “Isso se deve à abertura de mercado de capital estrangeiro, as companhias aéreas estão vindo”, classifica. “Sempre comento com nossos alunos que a aviação é um meio de transporte que nunca mais vai regredir, as pessoas se deram conta de sua segurança, custo-benefício. A outra questão é o investimento no aeroporto Salgado Filho, indescritível o que essa empresa alemã está fazendo. Eles acreditam no nosso potencial”, comemora.
Fonte: Jornal do Comercio
