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Atualizado 17/11 as 22h42 – A Embraer anunciou nesta segunda (17), que seu conselho de administração aprovou a parceria estratégica para combinação de ativos na área de aviação comercial com a Boeing. A fabricante de aviões brasileira ressalta em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que a parceria ainda está sujeita à aprovação do governo brasileiro e, posteriormente, será submetida à aprovação dos acionistas e das autoridades regulatórias. O conselho também já autorizou envio de notificação solicitando a aprovação prévia da União.
De acordo com a parceria proposta, a Boeing deterá 80% de participação na joint venture pelo valor de US$ 4,2 bilhões. Em julho, quando o acordo foi anunciado, o valor informado para pagamento à Embraer pela Boeing era de US$ 3,8 bilhões. A joint venture foi avaliada na ocasião em US$ 4,75 bilhões. Agora, o valor anunciado pela empresa em fato relevante é de US$ 5,26 bilhões. Pelos cálculos da Embraer, o resultado da operação, líquido de custos de separação, será de US$ 3 bilhões.
Conforme a companhia, a expectativa é que a parceria não terá impacto no lucro por ação da Boeing em 2020, passando a ter impacto positivo nos anos seguintes. A joint venture deve gerar sinergias anuais de cerca de US$ 150 milhões – antes de impostos – até o terceiro ano de operação.
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Após concluída a transação, a joint venture da aviação comercial será liderada por uma equipe de executivos sediada no Brasil, incluindo um presidente e CEO. A Boeing terá o controle operacional e de gestão da nova empresa, que responderá diretamente a Dennis Muilenburg, presidente e CEO da Boeing. A Embraer terá poder de decisão para alguns temas estratégicos, como a transferência das operações do Brasil.
No comunicado, Paulo Cesar de Souza e Silva, presidente e CEO da Embraer, afirma que a empresa está confiante que esta parceria será de grande valor para o Brasil e para a indústria aeroespacial brasileira como um todo.
KC-390
As companhias também chegaram a um acordo de uma segunda joint venture para promover e desenvolver novos mercados para o avião multimissão KC-390. De acordo com a parceria proposta, a Embraer deterá 51% de participação na joint venture e a Boeing, os 49% restantes.
A transação também está sujeita à aprovação do governo brasileiro, ratificação pelo conselho de administração da Embraer e autorização deste para assinatura dos documentos definitivos da transação.
Na sequência, a parceria estratégica ainda deve ser submetida à aprovação dos acionistas, das autoridades regulatórias, bem como a outras condições pertinentes à conclusão de uma transação deste tipo. Caso as aprovações ocorram no tempo previsto, a expectativa da Embraer é que a negociação seja concluída até o final de 2019.
Por que Boeing e Embraer estão unindo forças
A Boeing e a Embraer anunciaram no fim de 2016 que estudavam unir seus negócios. A expectativa era de que um acordo entre as duas poderia criar uma gigante global de aviação, com forte atuação nos segmentos de longa distância e na aviação regional, e capaz de fazer frente a uma união similar entre as maiores concorrentes, Airbus e Bombardier, que também se uniram.
A americana e a brasileira tentam consolidar em um mesmo negócio duas operações fortes, uma em aviação de longa distância, outra para deslocamentos regionais. Enquanto a Boeing é a principal fabricante de aeronaves comerciais para voos longos, a Embraer lidera o mercado de jatos regionais, com aeronaves equipadas para voar distâncias menores.
A Embraer foi privatizada em 1994, no fim do governo Itamar Franco, por R$ 154,1 milhões (valores da época), quando o governo obteve o poder de decisão sobre a companhia.
Ações disparam
As ações da Embraer (EMBR3) disparavam na abertura na Bolsa brasileira nesta segunda (17), após a fabricante de aeronaves brasileira ter anunciado que aprovou, junto com a Boeing, os termos para a formação de uma nova empresa de aviação comercial.
Às 10h15 (de Brasília), os papéis da Embraer tinham alta de cerca de 7% na B3, cotados em 22 reais cada um. No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, subia 0,19%, na casa dos 87.600 pontos.
A previsão da Embraer é que o resultado da operação, líquido dos custos de separação, seja de 3 bilhões de dólares. A empresa disse que ainda não é possível determinar o efeito líquido da operação sobre seus resultados.
Já a Boeing afirmou que a operação não terá impacto em seu lucro por ação em 2020, mas que a joint venture deve gerar sinergias anuais de cerca de 150 milhões de dólares, antes de impostos, até o terceiro ano de operação da nova companhia.
Ações
Embraer e Boeing anunciaram a intenção de criar uma nova companhia na área de aviação comercial em 5 de julho deste ano. Naquele dia, as ações da Embraer despencaram 14,3% na B3, com os investidores cheios de dúvidas sobre como seria a operação. De lá para cá, os papéis perderam mais 10,2%, considerando o fechamento de sexta (14).
A expectativa de analistas, no entanto, é de que os investidores recebam positivamente a notícia sobre os termos da operação, já que a Boeing está pagando mais do que o previsto inicialmente por sua participação na joint venture.
Fontes: Isto E / G1 / Exame
