Aeroportos

Anac homologa RNAV do Aeroporto de Rondonópolis

O equipamento RNAV, sigla em inglês que quer dizer navegação por área, equipamento essencial para garantir a segurança de pousos e decolagens em condições de pouca ou nenhuma visibilidade e que já estava há tempos instalado no Aeroporto Municipal Marinho Franco, finalmente recebeu a homologação da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac). A homologação do equipamento foi publicada no Diário Oficial da União de ontem (17) e faltam apenas alguns detalhes para que o mesmo possa ser utilizado com segurança pelos aviões que pousam e decolam no aeroporto.

Instalado no início do ano de 2016, o RNAV já estava operacional, mas dependia da homologação do órgão responsável pela aviação civil no país para de fato começar a ser usado por pilotos, principalmente de voos comerciais, já que apesar de fornecer as informações sobre a localização da pista de pouso mesmo em condições de baixa visibilidade, as informações não podiam ainda ser utilizadas devido a questões legais. Ou seja: as informações estavam ali, mas como o RNAV não tinha a certificação do órgão responsável, os pilotos não se arriscavam a usá-las, o que fez com que muitos voos fossem cancelados ou que as aeronaves sobrevoassem a cidade por algum tempo antes de voltar para seus destinos de origem ou prosseguirem viagem, sem no entanto pousarem na cidade.

De acordo com a superintendente do aeroporto, Bianca Araldi, após a publicação da homologação do equipamento no Diário Oficial, a Anac já teria decretado que o mesmo está 100% operacional, faltando apenas que o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) promova pequenos ajustes para que isso de fato ocorra, o que deve acontecer nos próximos dias. “Da parte do aeroporto não tem mais nada pendente. O aeroporto hoje é 100% operacional perante a agência reguladora da aviação civil, que é a Anac. Isso é importante, pois traz mais segurança para os pilotos, mas principalmente para as companhias aéreas, por que traz confiabilidade. Eles saberão que mesmo com o clima não tão bom, eles vão poder decolar e pousar. Não é uma garantia de 100%, por que até os melhores e maiores aeroportos do mundo fecham em determinadas situações, pois não é um equipamento de precisão, mas ele pode garantir uma maior segurança no pouso”, declarou.

Ainda de acordo com ela, o equipamento não garante que todas as aeronaves possam pousar e decolar, devido às condições climáticas, mas a maioria dos voos estará garantida a partir de agora. “Nem todos serão cancelados por questões ligadas à meteorologia, mas em condições extremas, alguns ainda serão cancelados. Mas isso ocorre em todos os aeroportos, não só no nosso. No entanto, com certeza, vai diminuir bastante o índice de cancelamento de voos”, completou.

Com a homologação do RNAV, abre-se a possibilidade de o Marinho Franco atrair mais voos e empresas aéreas, já que o equipamento garante melhores condições para que as aeronaves de fato possam pousar e decolar ali. “Isso abre a possibilidade de uma gama de empresas se interessar em ter voos regulares para cá, mas não há nada garantido ainda, pois isso demanda questões de logística e outras. Mas isso é algo a mais que o aeroporto passa a oferecer para essas empresas. Não há nada garantido, mas tanto eu quanto o secretário (de Transporte e Trânsito) Rodrigo Metelo estamos mantendo contato com algumas empresas e há a possibilidade de termos novas linhas e voos. Nós estamos fazendo a nossa parte, porém depende deles”, concluiu.

Segundo o funcionário público Roberto Mendonça, estudioso de assuntos aeronáuticos que tem acompanhado há anos a situação do aeroporto, o próximo passo para tornar o Marinho Franco ainda mais seguro para pousos e decolagens será a implantação do ILS (Instrument Landing System), sigla em inglês que significa sistema de pouso ou aterrissagem por instrumentos, que é um sistema de aproximação por instrumentos, que dá uma orientação precisa ao avião que esteja na fase de aproximação final da pista. “Mas isso deve ocorrer somente após a concessão do aeroporto para a iniciativa privada, o que deve ocorrer no ano que vem. Esperamos que alguma coisa ainda ocorra esse ano, pois o Tribunal de Contas da União (TCU) já aprovou a licitação da concessão, mas temos que esperar. Aí sim, é instrumento puro, o que torna tudo mais seguro para pousos e decolagens. Mas nosso aeroporto já foi alçado a outro nível com a homologação do RNAV”, informou.

Aguardado com ansiedade pela população que se utiliza do aeroporto, a homologação do RNAV ainda não tinha ocorrido por conta de técnicos da Anac terem detectado não conformidades no aeroporto, que no entanto nunca foram divulgados pela administração do aeroporto.

Enquanto isso, inúmeros voos foram cancelados e por diversas vezes aviões não encontraram condições de visibilidade e acabavam por não pousar na cidade. A situação fez com que o número de usuários do aeroporto diminuísse muito, pois a grande maioria das pessoas preferia ir até o Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, onde era garantido que embarcariam em um voo no dia e horário marcados.

Anteriormente, em outubro de 2016, a ANAC já havia homologado o PAPI (sigla em inglês que significa Precision Approach Path Indicator, ou Indicador de Percurso de Aproximação de Precisão, em português), que é um sistema de luzes, que informa os pilotos sobre a altitude correta do avião, quando este se aproxima da pista para aterrissar.

Fonte: A Tribuna MT

To Top