
Quem disse que dinheiro não voa, não conhece o mundo da aviação de negócios. Apesar dos anos ruins com a crise econômica, a situação do setor melhora cada vez mais. Como o Brasil tem uma malha aérea comercial sem muita capilaridade, empresários e colaboradores de grandes companhias usam cada vez mais o serviço de aviação de negócios como alternativa de transporte. Isso fez com que ocorresse crescimento de 0,3% da frota da aviação geral de 2016 para 2017. Assim, o País ficou com a segunda maior frota do setor no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e bem na frente do terceiro colocado, o México.
Em Brasília, o setor está aquecido. De acordo com o Anuário Brasileiro da Aviação Civil 2018, feito pelo Instituto Brasileiro de Aviação, na Capital, houve aumento 2,9% na frota de helicópteros na comparação entre 2016 e 2017, totalizando 72 unidades. Outros tipos de aeronaves, porém, apresentaram baixas.
Levando em consideração o mercado, que tem muito a crescer, a Icon Aviation, empresa especializada em aviação de negócios, inaugurou um novo hangar de 7.420 m² no aeroporto Internacional de Brasília, Juscelino Kubitschek, ontem à noite. A holding, que tem operações desse tipo no Rio de Janeiro e em São Paulo, já é a maior empresa, em metros quadrados de hangar, na América Latina.
“Não fomos nós que descobrimos o potencial de Brasília. Isso foi na época de Juscelino (Kubitschek). Nós apenas vimos que existia espaço aqui para investir nessa cidade tão importante. Daqui, dá para ir a qualquer lugar do país e até fora dele”, afirma o presidente da Icon Aviation, Michael Klein.
Diretor executivo da Icon Aviation, Décio Galvão lembra que, infelizmente, alguns hangares fecharam no Aeroporto JK. Assim, ficou um vácuo no atendimento do setor em Brasília.
Por conta disso, a empresa resolveu apostar no potencial da cidade. “A gente acredita em Brasília. Nós sabemos que estamos investindo em um lugar que vai gerar retorno”, assegura.
A empresa já atendia o público brasiliense em um espaço menor, e decidiu expandir a área, confiando que homens e mulheres de negócio veem a capital do País como um importante ponto de chegadas e partidas. O novo hangar foi inaugurado com 75% do espaço reservado para clientes que utilizam o serviço de hangaragem – deixam suas aeronaves estacionadas no local.
Com o espaço de Brasília, a Icon Aviation chega ao número de 12 hangares: nove deles em São Paulo (nos aeroportos de Congonhas, Campo de Marte e Sorocaba), dois no Santos Dumont, no Rio de Janeiro, e um em Brasília. Além disso, a companhia oferece o serviço de venda de aeronaves e o fretamento. Os que compareceram à inauguração puderam ter contato com uma das robustas aeronaves a venda.
Para o presidente da Icon Aviation, Michael Klein, esse será o espaço para as pessoas que querem deixar seus aviões, em especial os de grande porte, guardados e preparados para qualquer reunião em um dos cantos do País. Ele assegura que o espaço é o único preparado para isso.
Centro-Oeste é atrativo e estratégico
No Brasil, segundo dados divulgados em maio deste ano pela Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), são 15.406 aeronaves – as que fazem voos comerciais estão excluídas dessa conta. São 11.204 convencionais, 2.083 helicópteros, 1.278 turboélices e 756 jatos.
Os últimos anos não registraram o crescimento ocorrido nos anos anteriores à crise econômica, em 2014, quando o aumento anual da frota era de 7%. Mas, mesmo que de forma comedida, a retomada do segmento mostra as pessoas continuam dispostas a utilizar o serviço, que tem variados preços.

Na opinião do diretor-geral da Abag, Flávio Pires, a aviação de negócios, novo termo para a que antes era chamada de executiva, vai sofrer as pressões das crises econômicas, mas conseguirá se reajustar porque é necessária para um país tão grande como o Brasil.
“A aviação de negócios acompanha o crescimento econômico. Se uma cresce, o outro também aumenta. E é um dinheiro inteligente, que vai onde tem mais gente gastando. Ele não fica parado em um só Estado para sempre. Onde tem dinheiro, ele vai para lá”, afirma.
Flávio aponta que a Região Centro-Oeste é, atualmente, um chamariz para o setor já que é extensa e deficiente na cobertura da aviação convencional, além de contar com muitas empresas de grande porte. Dentro da região, Brasília tem uma localização privilegiada já que consegue auxiliar todos que precisarem se deslocar pelos quatro cantos do país.
Mais tempo e mais negócios
A aviação de negócios quer dar muito mais que conforto aos usuários. O segmento quer oferecer algo que, se for perdido, é difícil de obter novamente: o tempo. Uma ou duas horas podem significar o fechamento de um novo negócio, que gerará mais dinheiro circulando pela economia. Sem contar a dor de cabeça de enfrentar fila, despacho de bagagem e outros incômodos nos aeroportos do País.
Para evitar esses problemas e ganhar tempo, o executivo Arnaldo Cunha Campos adquiriu sua aeronave há 20 anos e não se arrepende. Tanto que, algum tempo depois, ele percebeu que valia a pena ter uma para viagens distantes e outra para as mais próximas. Ele é um dos vários brasilienses que utilizam o serviço da Icon Aviation há anos. Sua aeronave, um Citation X, era uma das estacionadas no novo hangar da empresa.
“Para mim, utilizar uma aeronave executiva facilita meu deslocamento, diminui o meu cansaço e me dá mais tempo para fazer negócios”, afirma o sócio-diretor do Complexo Brasil 21. Ele conta com o auxílio do comandante da aeronave, Ítalo Ciminelli, e do diretor de aviação da empresa, o Ramom Nunes.
Serviços especiais
No novo espaço da Icon Aviation em Brasília ainda será possível contar com atendimento de hangaragem 24h, guarda volumes e uma sala VIP de 3.534m². Para a tripulação que precisar de um descanso, a partir de agora, não é mais que sair do aeroporto, pois haverá três dormitórios preparados dentro do hangar.
A expectativa da direção da empresa é que o atendimento na unidade de Brasília aumente logo nos primeiros meses, e chegue a 100%. O objetivo é ajudar a impulsionar o setor aqui em Brasília. “A gente vê sinais cada vez mais claros de recuperação econômica do país e do setor. A Icon Aviation acompanhará esse crescimento”, afirma o diretor executivo da empresa, Décio Galvão.
Fonte: Jornal de Brasília
