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Uma década depois da estreia, primeiros Airbus A380 serão desmontados

Uma empresa alemã de investimentos informou nesta terça (5) que vai desmontar dois jatos de passageiros superjumbo Airbus A380 depois de não conseguir encontrar uma companhia aérea disposta a mantê-los voando, após a Singapore Airlines decidir não manter as aeronaves em serviço.

A decisão do Dr Peters Group, com sede em Dortmund, representa um novo golpe nos esforços da fabricante de aviões para manter o interesse do mercado no modelo de dois andares, apenas 10 anos depois de entrar em serviço, quando foi saudado por chefes de Estado como um símbolo da ambição europeia.

“Psicologicamente não é bom para a Airbus, mas esta é uma aeronave muito grande com um mercado de segunda mão muito pequeno”, disse o analista aeroespacial britânico Howard Wheeldon.

Apesar das avaliações positivas por sua cabine silenciosa e espaçosa, a demanda pela aeronave de 544 lugares caiu, já que muitas companhias aéreas abandonaram a maior aeronave de quatro motores da indústria em favor de modelos bimotores menores, mais eficientes e fáceis de abastecer.

A Airbus diz que o jato icônico vai eventualmente se consolidar à medida que a demanda por viagens satura a capacidade de aeroportos nas principais cidades.

“Não podemos comentar sobre a decisão do Dr Peters, que é o dono da aeronave”, disse um porta-voz da Airbus.

“Continuamos confiantes no mercado secundário do A380 e no potencial de ampliar a base de operação”.

A Singapore Airlines lançou os serviços do A380 em dezembro de 2007 com grande alvoroço, mas devolveu os dois primeiros aviões a seus financiadores alemães quando os contratos de leasing expiraram 10 anos depois.

As duas aeronaves descartadas foram repintadas e levadas para Tarbes, nos Pireneus franceses, para serem armazenadas, e desde então seus destinos eram incertos, com o dono procurando outros compradores.

“Depois de negociações extensas e intensas com várias companhias aéreas, como British Airways, HiFly e IranAir, o Dr Peters Group decidiu vender os componentes da aeronave e recomendará essa abordagem a seus investidores”, afirmou a empresa em comunicado enviado à Reuters.

A Airbus está trabalhando há meses para tentar estimular um mercado de segunda mão para o A380 para encorajar novas companhias aéreas a assumir o risco de investir no avião, sabendo que o ativo teria um valor adequado quando decidirem vendê-lo.

Quando foi lançado, o A380 ostentava interiores altamente personalizados para ajudar as companhias aéreas a promover uma sensação de luxo, mas o custo de substituir tais acessórios sob medida agora é visto como uma desvantagem.

“O problema é o custo da reconfiguração. São 40 milhões de dólares ou mais por avião”, disse uma importante fonte da indústria.

Quase virou sucata

Os dois A380 alugados pela Hi-Fly quase viraram sucata. De acordo com Jason Reed, presidente do Component Solutions Group, a empresa que tem a propriedade da aeronave ofereceu pelo menos um A380 para o desmonte e fornecimento de peças usadas.

Reed admitiu que as duas aeronaves foram oferecidas, mas a empresa se interessou por uma unidade, o negócio acabou não sendo fechado e as aeronaves foram alugadas para a Hi-Fly.

Anteriormente esses A380 pertenciam à Singapore Airlines, que decidiu devolver cinco aeronaves e substituir por modelos novos. Vale lembrar que esses dois A380 fazem parte de um dos primeiros produzidos pela Airbus para uma companhia aérea.

Jason Reed disse que o preço oferecido foi baixando ao longo da negociação, visto que houve uma certa pressa para a venda da aeronave. Mesmo assim o preço não foi tão atrativo para a Component Solutions Group, que poderia não conseguir lucrar com a venda das peças do A380.

A proprietária da aeronave exigiu a entrega da mesma pela Singapore Airlines com uma revisão completa, além de uma pintura totalmente branca. Então boa parte das peças são novas e tem vários ciclos possíveis de uso.

Fonte: Exame / Aviation Week

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