
Um relatório da Infraero sobre a situação dos aeroportos, divulgado na tarde desta quinta-feira, mostra que o combustível (querosene de aviação) já acabou em seis aeroportos administrados pela estatal: Carajás (PA), São José dos Campos (SP,) Uberlândia (MG), Ilhéus (BA), Palmas (TO) e Juazeiro do Norte (CE). Em outros cinco, o combustível só é suficiente por mais doze horas (Recife, Goiânia, Maceió, Londrina e Navegantes).
Segundo o balanço, a reserva do produto garante as operações do aeroporto de Vitória por até dezoito horas (Juazeiro do Norte, Navegantes e Vitória). Nos 29 restantes, a situação é pouco mais tranquila e o combustível é suficiente por mais de dezoito horas. Estão nesta lista Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ).
Em relação aos aeroportos concedidos, a situação é mais crítica em Brasília e em Confins.
Diante do problema, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) aconselha os passageiros a só se deslocarem para o aeroporto depois de confirmar com a companhia a situação do seu voo.
Congonhas recebe carga de combustível que durará até sexta
O Aeroporto de Congonhas recebeu ontem, através de uma escolta da polícia, os caminhões para o abastecimento de querosene do local.
Com a renovação do estoque no local o aeroporto agora poderá atender aeronaves até a noite dessa próxima sexta (25), mesmo se houver continuidade na greve dos caminhoneiros.
O abastecimento de Congonhas é importantíssimo, pois garante a operação de voos a partir de São Paulo, visto que o Aeroporto de Guarulhos é abastecido por uma tubulação que dispensa o uso de caminhões. Esses dois aeroportos estão no topo entre os mais movimentados do Brasil, ficando Congonhas em segundo lugar.
Apesar do abastecimento o aeroporto se mantém em estado de alerta, devido à crise nos outros aeroportos e também na possibilidade do combustível acabar às 23h de sexta-feira e não haver outra carga que garanta a continuidade do serviço.
Em nota oficial a Infraero, administradora do terminal, disse que “está monitorando o abastecimento de querosene de aviação por parte dos fornecedores que atuam nos terminais e já alertou aos operadores de aeronaves que avaliem seus planejamentos de voos para que cada um possa definir sua melhor estratégia de abastecimento de acordo com o estoque disponível na origem e destino do voo.”
Ao mesmo tempo, a Infraero está em contato com órgãos públicos relacionados ao setor aéreo para garantir a chegada dos caminhões com combustível de aviação aos aeroportos administrados pela empresa. As medidas vão desde liminares da justiça para possibilitar a liberação dos caminhões nas rodovias, até mesmo a transferência de combustível proveniente de outro aeroporto.
Aos passageiros, a Infraero recomendou que procurem suas companhias para consultar a situação de seus voos. Aos operadores de aeronaves, a empresa orienta que façam a consulta sobre a disponibilidade de combustível na origem e no destino do voo programado.
Políticos procuram carona em jatinhos
Os Deputados e Senadores de Brasília estão procurando outros meios de voltarem para as suas casas, como modo de evitar problemas com os voos comerciais, que estão em estado de atenção devido à falta de combustível em vários aeroportos, causada pela greve dos caminhoneiros.
O movimento pelas caronas começou na manhã desta última quarta-feira, quando os deputados já negociavam sua volta. João Gualberto, que é deputado federal pelo PSDB-BA afirmou que a procura entre os políticos realmente estava acima da média.
Gualberto é dono de um jato executivo, do modelo Hawker 400, ele chegou na terça-feira em Brasília e já sabendo dos problemas mandou completar o tanque da sua aeronave no mesmo dia. Ontem ele decolou do mesmo aeroporto com outros 5 parlamentares, que pegaram carona para retornar ao seu estado.
Ultimamente os deputados federais estão chegando em Brasília na terça-feira, e retornando aos seus estados já no outro dia durante a noite, devido às eleições.
Fonte: O Globo / Valor / Exame / Correio do Povo
