Comercial

Fundador da Embraer fala em crescimento se ocorrer possível fusão com a Boeing

A Embraer encara a parceria com a gigante norte-americana Boeing como um terceiro ciclo de desenvolvimento da empresa em sua história, que começou em 1969.

Nesta quinta-feira, a notícia de que as companhias estão em tratativas para uma ‘potencial combinação de seus negócios’ chacoalhou o mercado e projetou o que poderá vir a ser o maior conglomerado do mundo em aviação.

O negócio é encarado como uma cooperação entre as fabricantes, e não uma aquisição de uma pela outra, como chegou a ser divulgado nesta quinta.

Se concretizada, tal parceria entrará na história da Embraer como seu terceiro ciclo de desenvolvimento.

Os dois ciclos anteriores são a fundação da companhia, em 1969, e a privatização, em 1994, quando a Embraer esteve à beira da falência.

MERCADO

A lógica por trás do negócio é de potencializar ambas as empresas, que não competem em mercados comuns. E fazer frente ao consórcio europeu Airbus, principal rival da Boeing, que comprou fatia majoritária do programa de aeronaves regionais C Series da Bombardier, maior concorrente da Embraer.

Juntas, Boeing e Embraer poderão garantir a liderança em seus respectivos nichos de mercado: a primeira nas aeronaves de longa distância e a segunda, com seus jatos para a aviação regional.

A união ainda criaria uma terceira cadeia produtiva de valor na indústria aeroespacial, que hoje já conta com a China e o conglomerado europeu (Airbus) agora reforçado com os canadenses.

VENDAS

“O Brasil tem que pensar grande. Não podemos pensar pequeno. O ano de 2018 vem aí e temos que fazer mais pelo país”, disse o fundador da Embraer, o engenheiro Ozires Silva, defensor da parceria com a Boeing.

A vantagem seria a de aumentar a capacidade da Embraer nas áreas de vendas, marketing e de penetração no mundo da aviação global, tornando a empresa brasileira efetivamente globalizada.

Dentro da Embraer se fala em “momento histórico” e de um impulso sem precedentes na capacidade de negociação da companhia.

Com seus cerca de 4.000 engenheiros, a Embraer, segundo apurou o jornal, se destaca no cenário internacional nessa área e a parceria com a Boeing pode culminar em uma mistura de produtos entre as empresas, com aviões da americana usando componentes feitos pela Embraer.

Fundador da empresa, Ozires Silva aprova negociação com a Boeing e fala em avanço

O engenheiro Ozires Silva, fundador da Embraer em 1969, disse que um eventual acordo com a Boeing será benéfico para a fabricante brasileira, e também para o país. “Não se trata de uma compra da Embraer pela Boeing. Eles estão propondo uma parceria. Não é uma coisa ruim, ao contrário. É uma proposta muito honrosa para a empresa”, afirmou Ozires.

Segundo ele, os elogios recorrentes da Boeing à capacidade dos engenheiros da Embraer revela o interesse da companhia. “Eles querem uma parceria, pois estão com dificuldades na área técnica deles”.

O fundador da empresa até se permitiu brincar com a situação. “Não há negociação para a Boeing comprar a Embraer. Vai que a Embraer compre a Boeing?”, disse, por telefone.

Ozires Silva lembrou que uma parceria com a Boeing será boa para enfrentar a Airbus e a Bombardier, que se uniram. “Não tem como concorrer com o mercado europeu. E a Boeing também precisa de apoio técnico para concorrer com eles. A parceria vai ser boa para o Brasil”.

Fonte: Gazeta de Taubaté

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