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Atualizado 22/5 11:21 – Um ex-piloto da companhia mexicana Damojh (Global Air), proprietária do Boeing alugado pela Cubana de Aviación que caiu na sexta-feira (18) em Havana, denunciou supostas anomalias como manutenção deficiente, proibição de voar no Chile e voos noturnos sem radar na Venezuela, de acordo o jornal Milenio.
O Boeing 737-200 caiu ao meio-dia de sexta-feira quando acabara de decolar do aeroporto internacional de Havana com destino a Holguín (leste). Um total de 110 pessoas morreram, enquanto apenas três mulheres sobreviveram.
Marco Aurélio Hernández assegurou ao jornal que entre 2005 e 2013 trabalhou para a Global Air. O ex-piloto, que manejou três aviões Boeing da empresa, incluindo a aeronave acidentada, disse que apresentou uma denúncia sobre as anomalias detectadas enquanto trabalhava lá.
“Uma queixa foi por falta de manutenção da aeronave. Há pessoas capacitadas como mecânicos, mas faltam peças de reposição, faltam cuidados”, disse ele.
Hernandez indicou que trabalhou com José Luis Núñez, piloto do avião que caiu, que ele descreveu como um “companheiro muito capaz, muito preparado”.
O Boeing em questão foi fabricado em 1979 e em novembro passado passou por uma verificação de segurança, de acordo com a secretaria de Comunicação e Transportes do México.
Mas o Aeraonáutica Civil informou no sábado (19) que a Global Air será submetida a uma “nova auditoria operacional” no âmbito de uma verificação extraordinária.
Será “verificado se as condições atuais operacionais respeitam os regulamentos”, aponta um comunicado. O órgão também informou que uma delegação mexicana de especialistas chegou a Havana para colaborar com Cuba.
Uma porta-voz da Global Air que pediu para não ser identificada disse que Hernández de fato trabalhou para a empresa, mas recusou-se a comentar a denúncia. Hernandez sustentou que uma vez a companhia foi proibida de voar para o Chile devido ao mau funcionamento. Disseram a ele: “volte porque essa porcaria não vai voar no Chile”. “Apresentei uma queixa por falta de manutenção e porque o avião já tinha rendido o que podia na fuselagem”, acrescentou, afirmando que a denúncia foi entregue em 2013 à Secretaria de Comunicação e Transportes do México. Ana Marlene Covarrubias, de 44 anos, que foi comissária de bordo na Global Air por sete anos, disse a repórteres que jamais detectou quaisquer incidentes graves em voos.
A Global Air operava a aeronave através de um contrato de locação com a Cubana de Aviación, um contrato no qual a aeronave é alugada com tripulação. Os dois pilotos, os três comissários de bordo e o técnico de manutenção do avião eram mexicanos.
Morre uma das 3 sobreviventes
A cubana Grettel Landrove, uma das três sobreviventes do acidente aéreo ocorrido na última sexta-feira em Havana, morreu nesta segunda-feira no hospital onde estava internada em estado grave, informou à Agência Efe uma fonte que trabalha no centro médico.
Com isso, o número total de mortos no acidente subiu para 111. Landrove, que tinha 23 anos, era natural de Holguín – destino do voo DMJ-972 – e morava em Havana.
México suspende operações de empresa proprietária do Boeing
A autoridade de aviação civil do México afirmou na segunda-feira (21) que vai suspender temporariamente as operações das Aerolineas Damojh (Global Air), a companhia mexicana dona da aeronave que caiu na sexta-feira (18) em Cuba. O avião fazia o voo DMJ 0972 da companhia Cubana de Aviación, mas era arrendado da Global Air.
A autoridade mexicana afirmou que o objetivo da suspensão é garantir que a companhia esteja em conformidade com as regulações, e coletar informações para ajudar na investigação sobre as causas do acidente, que já está em andamento.
O acidente é o mais grave da aviação cubana em quase 30 anos. O avião era um Boeing B737-201 ADV, ano 1979, de matrícula XA-UHZ.
Segundo a Agência de notícias EFE, a companhia aérea é conhecida como Global Air, mas foi registrada com o nome Aerolíneas Dalmojh, e tem uma frota com três aeronaves, além de autorização para arrendar aviões e tripulação a outras companhias, como a Cubana de Aviación.
De acordo com informações divulgadas pela Secretaria de Comunicações e Transportes do governo mexicano, a Global Air passou por sua última inspeção anual em novembro de 2017 e foi aprovada. Além disso, todas as aeronaves passam por uma inspeção própria a cada dois anos, e recebem um certificado de aeronavegação depois de “se sujeitarem a testes, controle técnico e aos requisitos de verificação de manutenção estabelecidos“.
O governo mexicano disse que a frota da Global Air teve seus últimos certificados outorgados em agosto e outubro de 2017.
Essa não é a primeira suspensão temporária da Global Air. A empresa ficou suspensa entre 11 de novembro e 18 de dezembro de 2010 depois que um de seus aviões precisou fazer uma aterrissagem de emergência na cidade mexicana de Puerto Vallarta por uma falha no trem de pouso dianteiro.
A segunda suspensão durou entre outubro de 2013 e janeiro de 2014, depois que um ex-funcionário fez denúncias de irregularidades técnicas na empresa. Nesse caso, a suspensão afetou apenas uma das aeronaves “até que se apresentou a documentação para atender aos requisitos da inspeção“, segundo informou o governo mexicano.
Fonte: France Presse / Exame / Reuters / EFE
