
Morreu, na noite de segunda (7), o general de Brigada da Força Aérea Norte-Americana Charles Elwood Yeager — mais conhecido como Chuck Yeager —, que foi o primeiro piloto a quebrar a barreira do som, em 1947. Ele tinha 97 anos e estava internado em um hospital de Los Angeles, na Califórnia.
A morte foi anunciada na conta oficial do Twitter do piloto por sua mulher, a atriz Victoria Scott D’Angelo. “É com profunda tristeza que comunico que o amor de minha vida, o General Chuck Yeager, faleceu pouco antes das 21h (hora do leste)”, ela tuitou. “Uma vida incrível, bem vivida, o maior piloto da América e um legado de força, aventura e patriotismo serão lembrados para sempre”, completou.
Chuck Yeager nasceu em 1923, na cidade de Myra, em Virginia Ocidental, e se alistou no exército dos EUA em 1941, assim que completou seus 18 anos. Em 1943, ele se tornou piloto no Comando de Caças da Oitava Força Aérea, baseada na Inglaterra. Durante a Segunda Guerra Mundial, participou de várias missões, derrubando um total de 13 aeronaves alemãs. Na oitava missão, seu avião foi abatido, mas ele conseguiu pousar em território francês, onde foi auxiliado por membros da resistência contra a ocupação nazista.

Em 1946 ele se tornou piloto da divisão de testes de voo do exército norte-americano. Após meses de testes com um Bell X-1, um avião experimental movido a foguete, Chuck Yeager fez história na aviação quando, aos 24 anos, se tornou o primeiro homem a voar mais rápido que o som.
Romper a velocidade do som era considerado arriscado e já havia custado a vida de vários pilotos. Consciente de todos os riscos, Yeager aceitou o desafio. Há informações de que um dia antes do voo ele caiu de um cavalo nos arredores da base aérea e fraturou uma das costelas, mas voou assim mesmo, escondendo o ocorrido de seus superiores.
O Bell X-1 recebeu o nome de Glamorous Glennis (glamorosa Glennis), em homenagem à primeira esposa do piloto, que morreu em 1990. O avião, com 8,5 m de envergadura e 9,4 m de comprimento, foi lançado de um bombardeiro B-29 modificado. Após a separação, foram acionados motores de foguete, capazes de levar a aeronave ao voo supersônico.
Glamorous Glennis alcançou a velocidade de 1.541 km/h e atingiu a marca de Mach 1,05 —unidade que indica que o voo é executado em ondas sonoras— a uma altitude de 45 mil pés (13.700 metros), sobre o Lago Seco Rogers, no Deserto de Mojave, na Califórnia.
A barreira do som é rompida quando um objeto ultrapassa a velocidade do som no ar, que é de aproximadamente 1.216 km/h (340 m/s). Ao atingir tamanha velocidade, o objeto atropela as ondas sonoras geradas por ele próprio, provocando uma grande onda de choque, e, consequentemente, um grande estrondo.
A experiência só se tornou pública em junho de 1948. Ao longo dos anos, Yeager quebrou uma série de recordes de velocidade e altitude, sempre superando seus colegas quando um deles obtinha uma marca melhor que a sua. Em 1953, ele estabeleceu outro recorde mundial de velocidade quando pilotou o X-1A a Mach 2,44, quase duas vezes e meia a velocidade do som. Mas durante este voo, ele perdeu o controle da aeronave a 80.000 pés (24.400 metros) devido a um fenômeno desconhecido na época, chamado de acoplamento por inércia. O avião caiu mais de 50.000 pés (15.200 metros) antes que ele pudesse recuperar o controle.
Em 1962, como coronel pleno, Yeager foi nomeado o primeiro comandante da Escola de Pilotos de Pesquisa Aeroespacial da Força Aérea dos EUA em Edwards, que treinou futuros astronautas —ele não podia ser astronauta pois só tinha o ensino médio. Ele se aposentou da Força Aérea em 1975, após mais de três décadas no serviço ativo, com várias honrarias e condecorações. O X-1, avião em que cruzou a barreira do som pela primeira vez, está em exibição no Museu Nacional Aéreo e Espacial do Smithsonian, em Washington.
Fonte: UOL
