
Atualizado 26/4 as 11h45 – A Boeing anunciou neste sábado (25) a rescisão do acordo que daria à gigante norte-americana o controle sobre a divisão de aviação comercial da Embraer.
Firmado em 2018, o negócio – então avaliado em R$ 5,26 bilhões – previa a criação de uma empresa conjunta que ficaria sob comando da Boeing, com 80% de participação. A Embraer ficaria com os 20% restantes, e poderia vender a sua parte para a americana.
“É uma decepção profunda. Entretanto, chegamos a um ponto em que continuar negociando dentro do escopo do acordo não irá solucionar as questões pendentes”, diz o comunicado aos investidores divulgado pela Boeing.
O texto diz ainda que a Boeing “exerceu seu direito de rescindir” acordo “após a Embraer não ter atendido as condições necessárias”.
Mercado
O cancelamento ocorre em meio aos impactos causados pelo coronavírus no mercado de aviação. A queda nas ações da Embraer e preocupações com dinheiro na Boeing, impulsionadas pelo impacto do coronavírus nas viagens aéreas, foram um golpe para a transação nos últimos dias.
As ações da terceira maior fabricante de aviões do mundo chegou a cair dois terços desde que o acordo foi divulgado em 2018, segundo dados da Refinitiv. A esse preço, a Boeing assumiria o controle da unidade comercial da Embraer, mas somente após pagar três vezes o valor de toda a empresa.
A Boeing se ofereceu para pagar US$ 4,2 bilhões em dinheiro por 80% da unidade comercial da Embraer, que fabrica jatos no segmento de 70 a 150 assentos e concorre com o programa A220, recentemente adquirido pela Airbus.
Transporte militar
Já a outra transação, prevê que Embraer e Boeing criem uma joint venture (nova empresa) voltada à produção da aeronave KC-390, de transporte militar. Esse cargueiro é o maior modelo produzido no Brasil, atualmente. Segundo o comunicado da Boeing, essa negociação segue mantida.
Embraer responde
A fabricante brasileira de aeronaves Embraer disse, em comunicado à imprensa, que “acredita firmemente que a Boeing rescindiu indevidamente” o acordo pelo qual a americana compraria a unidade de jatos regionais da brasileira por 4,2 bilhões de dólares.
A Boeing alegou que a Embraer não teria cumprido todas as condições previstas no contrato para a concretização da transação.
“A empresa acredita que a Boeing tenha adotado um padrão sistemático de atraso e violações repetidas ao acordo devido à falta de vontade em concluir a transação, à sua condição financeira, aos problemas com o 737 MAX e a outros problemas comerciais e de reputação”, diz a Embraer no comunicado.
“A Embraer acredita que está em total conformidade com suas obrigações previstas no acordo e que cumpriu todas as condições necessárias previstas até 24 de abril de 2020. A empresa buscará todas as medidas cabíveis contra a Boeing pelos danos sofridos como resultado do cancelamento indevido e da violação do acordo.”
Sem o negócio, a Embraer “volta” a ser uma fabricante brasileira de aviões.
Pelo acordo, a Boeing pagaria 4,2 bilhões à Embraer no fechamento. O desembolso teria de ocorrer agora, após a assinatura final – ou seja, no meio da crise de liquidez do setor devido à pandemia do coronavírus.
“A Boeing trabalhou diligentemente por mais de dois anos para a finalizar a transação com a Embraer. Durante os últimos meses, nós tivemos produtivas mas frustradas negociações sobre condições materiais precedentes não concluídas. Nós todos desejávamos concluir isso até a data final, mas não aconteceu”, afirma Marc Allen, presidente da Embraer Partnership & Group Operations. “Estamos profundamente desapontados.”
Fontes: G1 / Exame
