
A Comissão Aeronáutica Brasileira em Washington (CABW) definiu quais empresas foram aceitas para participar da licitação para aluguel de um Boeing 767 VIP.
A informação foi divulgada pela própria CABW, que é o adido militar da Força Aérea Brasileira (FAB) nos EUA, referente a um processo de licitação aberto no começo desse ano, quando o contrato anterior, firmado com a Colt Aviation, estava próximo de vencer.
O contrato com a Colt Aviation não foi renovado neste ano, e a empresa aérea também havia suspendido suas operações em 2017, devido a irregularidades na manutenção de seus aviões cargueiros Boeing 737F e 757F. Sendo assim, desde maio, a FAB não conta com um avião para transporte tático de tropas e VIP.
Importante para missões humanitárias e transporte de cargas, o Boeing 767-300 prefixo FAB2900 também chegou a ser usado por membros do executivo, na época do governo de Michel Temer. O atual presidente Jair Bolsonaro não chegou a voar no Boeing.
Volta à FAB
Com esse processo, o Boeing 767 está próximo de retornar para a frota da FAB. Dentre as empresas finalistas estão a brasileira ARIA, que era encarregada pela manutenção do antigo 767 e chegou a ser desclassificada desse processo, mas apelou contra a decisão e foi reinserida no certame, além das americanas AerSale e JetMidwest. A israelense IAI havia entrado na disputa, mas foi desclassificada por motivo ainda divulgado.
A licitação atual será feita pelo modelo de leilão reverso, escolhendo o menor preço para um regime de aluguel da aeronave, além de suporte logítisco por um período de 36 meses.
Boeing ex Lan no páreo
A JetMidwest tem dois Boeing 767 disponíveis, sendo um deles o 767-300 de número de série 27309. A aeronave tem 25 anos de idade e seu único dono foi a chinesa Shanghai Airlines, que a retirou de serviço em 2018. Desde então, o jato está estocado no Pinal Airpark no estado americano do Arizona.
O outro modelo (e mais provável de ser o oferecido no leilão) é o 767-300ER de número de série 24953. Este jato é a versão ER (Alcance Estendido), ideal para voar sem escalas para os principais destinos de suas missões na África e Américas. O 767-300ER em questão tem 28 anos de idade e passou por dez companhias aéreas, dentre elas a American Airlines e a Aeroméxico. Está estocado no Kansas após ter sido aposentado pela israelense El Al em setembro de 2018.
Já a AerSale está oferecendo um Boeing 767-300ER ex-LAN Chile (hoje Latam). De número de série 26261, a aeronave foi fabricada em 1995 e voou na LAN até 2013 como CC-CDM. Depois o avião foi para a Aeroméxico e para a MedView Airline da Nigéria, seu último dono que o retirou de serviço em 2017. Atualmente o avião se encontra estocado no Aeroporto de Roswell, no Novo México.
Processo foi congelado por acusação de irregularidades
Apesar da CABW ter selecionado as três finalistas, o processo de licitação iniciado no governo Temer está sob análise do Tribunal de Contas da União (TCU).
O processo de número TC 021.058/2019-9 foi movido pela ARIA, que alega irregularidades no processo licitatório. A licitação tem um orçamento de US$19 milhões de dólares (R$80 mi) para o leasing da aeronave e outros US$20 mi (R$84mi) para suporte logístico e de manutenção por 36 meses, totalizando US$39 milhões.
No ano passado o CABW chegou a abrir uma licitação para compra de um Boeing 767. Essa licitação foi feita com orçamento de US$30 mi e foi vencida pela ARIA oferecendo US$28 milhões pelo contrato, que logo depois foi cancelado.
Sendo assim, a disputa atual estaria US$ 11 milhões acima da anterior, mesmo sendo um contrato para aluguel, e não compra do Boeing 767. Um levantamento feito pelo Comando-Geral de Apoio da FAB mostrou que só é vantajoso comprar um 767 caso ele seja operado por mais de seis anos.
Seis anos é o tempo somado do contrato antigo com a Colt mais o que está sendo fechado nesta nova licitação, sendo assim o custo futuro seria maior para o contribuinte, visto que a FAB não ficaria mais com o jato no final deste novo contrato.
Outro ponto destacado pelo Tribunal é que o contrato anterior da Colt, que venceu em maio deste ano, permitia uma prorrogação por mais 12 meses, e que essa extensão seria mais vantajosa para o governo do que abrir uma nova licitação para aluguel.
O TCU determinou que a FAB não assine o contrato até que diligências sejam realizas no Comando Geral de Apoio da FAB, e que, da mesma maneira, ela esclareça diversos pontos na nova licitação, como, por exemplo, de qual linha do orçamento virá o dinheiro para a execução do futuro contrato.
Fonte: AeroIN
