
O aeroporto internacional de Canela está mais próximo de sair do papel. O prefeito Constantino Orsolin (MDB) e o secretário adjunto de Obras, Germano Junges, assinaram, na quarta (23), em Brasília, junto ao titular da Secretaria Nacional da Aviação Civil (SAC), Ronei Saggioro, a outorga para o Aeroporto Internacional das Hortênsias. O investimento estimado é de mais de R$ 185 milhões.
De acordo com Junges, o projeto será construído a partir de uma Parceria Público-Privada (PPP), em uma área próxima ao Parque do Saiqui e a oito quilômetros distante do Centro de Canela. Com a outorga já concedida, o próximo passo é renovar as licenças ambientais necessárias até a metade do ano que vem – a estimativa é de 120 a 180 dias para encaminhar os trâmites – e, após isso, montar o termo de referência e o edital para realizar a licitação após as eleições municipais de outubro. “A ideia é que se consiga abrir essa concorrência antes do final do ano que vem”, diz. Junges informa que o projeto já foi apresentado a eventos com consórcios de investidores nacionais e estrangeiros, e que estes demonstraram interesse em participar a partir do momento em que o município disponibilizar a licitação.
“Canela já tem um aeroporto para descer jatinhos pequenos, mas isso não resolve a demanda. Só no Natal, a região espera receber 2,5 milhões de turistas”, comenta o executivo e investidor Tarsi Pires, da Buriti Consultoria Empresarial, uma das representantes da companhia chinesa de energia Zhejiang Electric Power Construction Co. (ZEPCC). No projeto, explica Pires, a parte coberta para os passageiros configura mais de 22 mil metros quadrados de obra, e, a princípio, terá nove hangares para jatinhos e quatro para helicópteros. “Há parceiros com muito músculo que entrarão na licitação e que demonstram interesse nesse segmento”, afirma.
Junges destaca que o outro aeroporto da região, em Caxias do Sul, a 76 quilômetros de Canela, não inviabiliza as obras da cidade. “O de Canela terá foco no transporte de passageiros, e o de Caxias, além de passageiros, tem o foco no transporte de cargas em função do polo metalmecânico”, explica. Ele compara o modelo do aeroporto de Canela ao de Porto Seguro (BA), que opera e atende, principalmente, a voos charters e de grupos turísticos.

“De 100 passageiros que pousam na Capital, a metade vem para Canela e Gramado, e daqui é de onde eles partem para outras cidades, conforme o tempo que permanecem”, explica Junges. No feriadão de Páscoa deste ano, 48 aeronaves de pequeno porte aterrissaram na cidade. O secretário adjunto afirma que a Região das Hortênsias recebe cerca de 6 milhões de visitantes por ano e que os seus 295 meios de hospedagem representam quase 20% de todos os leitos no Rio Grande do Sul.
Caxias
A informação chega um dia depois de o governo federal ter garantido o empenho de R$ 3 milhões para a elaboração do projeto definitivo do Aeroporto de Vila Oliva, em Caxias do Sul, distante cerca de 20 quilômetros de Gramado. Ou seja, são duas frentes diferentes que buscam viabilizar pistas para voos comerciais bem próximas uma da outra.
Outorga não significa repasse
Em abril deste ano, o secretário da Aviação Civil, Ronei Saggioro Glanzmann, esteve em Caxias do Sul para a apresentação do anteprojeto de Vila Oliva e foi questionado sobre a possibilidade da região ter duas pistas perto uma da outra. Glanzmann declarou que não via problema em função do baixo tráfego aéreo na região. Mas considerou não ser “racional” ter dois aeroportos desse porte atuando na mesma região. Em resposta ao Pioneiro, a Secretaria de Aviação Civil diz que a outorga assinada ontem não significa um compromisso de repasse de recursos públicos para a Aeroporto Internacional das Hortênsias. A pasta também ressaltou que o projeto prioritário do governo federal para a região, que implicará no repasse de verbas da União, é o aeroporto de Vila Oliva.
Em 2012, o terminal de Canela foi incluído no Programa de Desenvolvimento da Aviação Regional, do governo federal. Em 2016, o projeto chegou a ser descartado pela União por conta da proximidade com o aeroporto de Vila Oliva. Para o secretário Junges, um projeto não inviabiliza o outro.
— O aeroporto de Caxias tem um perfil de carga e de passageiros. O de Canela é de passageiros. A diferença é que um será feito com recursos públicos e outro com a iniciativa privada.
Fontes: Jornal do Comércio / Clicrbs
