
Atualizado 30/3 as 18h26 – A Força Aérea Aérea Brasileira (FAB) enviou nesta sexta (29), duas aeronaves C-130 Hércules, matrícula FAB2467 e FAB2477 do Esquadrão Gordo do Rio de Janeiro-RJ, com destino a Moçambique transportando mais de 20 toneladas de materiais para assistência às vítimas do Ciclone Idai, em Moçambique.
A primeira etapa da assistência humanitária brasileira a Moçambique reúne equipes de resgate e salvamento da Força Nacional do Ministério da Justiça e Segurança Pública, inclui 20 especialistas em busca e salvamento e dispõe de botes e outros equipamentos adaptados ao tipo de desastre ocorrido no país. Também segue para Moçambique uma equipe do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Minas Gerais, formada por 20 especialistas, além dos equipamentos necessários, inclusive veículos.
A FAB foi acionada na quinta (28) para a missão de assistência humanitária por meio do Ministério da Defesa e por determinação do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República. “Isso demonstra nossa capacidade de pronta-resposta, mesmo se tratando de uma missão extremamente complexa, que envolve longas distâncias, exige autorizações de sobrevoos em diferentes países, além de outras coordenações”, explica o Chefe do Estado-Maior Conjunto do Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE), Major-Brigadeiro Ricardo Cesar Mangrich.

A complexidade ressaltada pelo oficial-general também está na necessidade de realizar diversos pousos e decolagens até a parada final, na cidade de Beira, já em Moçambique.
Vinte militares da FAB integram as tripulações das duas aeronaves de carga. “Esperamos poder levar alento em nossa aeronave para a população de Moçambique. Nos mantemos sempre prontos e em condições de sermos acionados para as mais diversas missões. Dentre elas, as que proporcionam salvar vidas, como esta, são as mais gratificantes”, ressalta o Capitão Aviador Nelson Dias da Silveira Costa, integrante da tripulação do C-130.

Entre os materiais transportados estão água potável, veículos de transporte como camionetes e botes motorizados, barracas, geradores, torres de energia, macas, equipamentos de mergulho, além de ferramentas como motosserras, pás e enxadas. Um carregamento do Ministério da Saúde também será levado. Ao todo, são seis kits de medicamentos e insumos, totalizando 870 kg, quantitativo suficiente para atender até 3 mil pessoas por um período de três meses, segundo informações do Ministério.
A primeira parte da assistência humanitária destina-se à cidade da Beira, onde deve chegar na tarde de sábado (30). Neste município, segundo o governo moçambicano, já se confirmaram mais de 700 mortes.
Etapas
O primeiro pouso foi em Belo Horizonte (MG), onde embarcaram militares da Força Nacional e dos Bombeiros de Minas Gerais, além de materiais e equipamentos.
Da capital mineira as aeronaves seguiram para Recife (PE), onde haverá a troca das tripulações para que os aviões possam prosseguir ao continente africano, com previsão de pernoite em Luanda, na Angola. “Preparamos as aeronaves para que tudo estivesse em condições de realizar o transporte da tripulação e do material com segurança”, disse o Major Aviador André Nicolazzi da Rocha, um dos tripulantes da missão.

Vinte bombeiros do Estado de Minas Gerais estão a bordo da aeronave para ajudar nos resgates às vítimas. O Chefe do Estado Maior do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, Coronel Erlon Dias do Nascimento Botelho, destaca que a parceria com a FAB e outros órgãos é fundamental para o cumprimento da missão. “O primeiro passo a ser dado é contar com o apoio e cooperação de diversos órgãos e a FAB, principalmente, no apoio de transporte, do controle aéreo, como nos ajudou nas buscas às vitimas da tragédia em Brumadinho. Esse apoio é essencial para que possamos ajudar quem necessita”, comentou.
A tragédia
O Idai foi o ciclone tropical mais forte a atingir Moçambique desde o Jokwe em 2008. A décima tempestade nomeada e o sétimo ciclone tropical da temporada no Índico Sudoeste de 2018-2019, o Idai originou-se de uma depressão tropical que se formou na costa leste de Moçambique em 4 de março. Cerca de 3 milhões de pessoas foram afetadas no sudeste da África, cujas autoridades já contabilizam mais de 700 mortos.
Fontes: FAB / Agência Brasil / O Tempo
