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Piloto e jornalista morrem em queda de helicóptero em SP

Atualizado 30/10 as 13h39 – Um helicóptero Bell 206B JetRanger II prefixo PT-HPG caiu na Rodovia Anhanguera, em São Paulo, nesta segunda (11) e bateu na parte dianteira de um caminhão que transitava pela via.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, o jornalista Ricardo Boeacht, 66, e o piloto Ronaldo Quattrucci morreram carbonizados. Boeacht era apresentador do Jornal da Band e da rádio BandNews FM. O jornalista estava dando uma palestra em Campinas, no interior do estado, e retornava a São Paulo nesta segunda, de acordo com jornalistas da TV Band.

O chamado de socorro foi feito às 12h14. A queda ocorreu perto do quilômetro 7 do Rodoanel, sentido Castelo Branco. De acordo com a CCR Rodoanel Oeste, que administra o Rodoanel, houve uma terceira vítima com ferimentos, o motorista do caminhão.

A Polícia Rodoviária Estadual informou que a alça de acesso do Rodoanel à Rodovia Anhanguera precisou ser interditada. Já a rodovia não teve bloqueio.

Piloto era dono da empresa proprietária da aeronave

Ronaldo Quattrucci, o piloto morto no acidente que matou o jornalista Ricardo Boechat na tarde desta segunda-feira (11), era dono da empresa proprietária do helicóptero, a RQ Serviços Aéreos Especializados Ltda. Ronaldo tinha 56 anos e deixa dois filhos.

Segundo a Associação Brasileira de Pilotos de Helicóptero (Abraphe), Quattrucci “seguiu à risca as doutrinas de segurança até o último momento, na tentativa de preservar a vida da tripulação a bordo do helicóptero”.

“Importante destacar, ainda, a experiência de quase duas décadas do comandante, as licenças regulares, bem como as características e potencial da aeronave que comandava”, diz a nota.

Acidente

O helicóptero saiu de Campinas, no interior do estado, onde Boechat participou de um evento, e seguia em direção à sede do Grupo Bandeirantes, no Morumbi, Zona Sul . A queda ocorreu na rodovia Anhanguera, junto ao Rodoanel: a aeronave bateu na parte dianteira de um caminhão que transitava pela via.

Helicóptero não tinha autorização para fazer táxi aéreo

O helicóptero não tinha autorização para fazer o serviço de taxi aéreo.

Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a dona da aeronave — a RQ Serviços Aéreos Especializados — não poderia fazer nenhuma atividade remunerada, a não ser de “aerofotografia, aeroreportagem, aerofilmagem, entre outros do mesmo ramo”.

A Anac informou ainda que abriu procedimento administrativo para apurar o tipo de transporte que estava sendo realizado no momento do acidente.

Em 2011, a empresa RQ Serviços Aéreos Especializados foi multada em R$ 20 mil por oferecer, a R$ 250, voos panorâmicos no site de compras coletivas Groupon. Na decisão, a ANAC reitera que a empresa não é certificada e autorizada para realizar transporte de passageiros.

Na ocasião, a defesa alegou que se tratava de um engano da plataforma, pois “o contrato feito com o site foi direcionado a enviar um email para empresas de aeropublicidade, fotógrafos, construtoras e agências de publicidade com o intuito de filmagens e fotografias aéreas”, o que está dentro das atribuições da empresa.

A RQ ressaltou ainda que, uma vez que a promoção foi divulgada, entrou imediatamente em contato com a Groupon, que teria reconhecido o erro e retirado a promoção. Acrescentou também que o voo panorâmico citado no auto de infração ocorreu “em caráter pessoal, cedido gratuitamente pelo proprietário”. Atualmente, porém, em seu site oficial, a RQ ainda anuncia que realiza o serviço turístico.

CENIPA aponta grave falha de manutenção

O CENIPA (Centro Nacional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) lançou na quinta (29/10/2020) o relatório final do acidente com o helicóptero de matrícula PT-HPG, que transportava o jornalista Ricardo Boechat e o piloto Ronaldo Quattrucci.

O CENIPA concluiu que houve uma negligência na manutenção do helicóptero Bell 206B, com diversos atrasos nos processos de manutenção. A troca do óleo, por exemplo, não era realizada há 38 meses, de acordo com os registros da ANAC, sendo que a recomendação é trocar ao menos uma vez ao ano.

A principal falha foi no compressor do motor do helicóptero. Ocorreu um entupimento na tubulação que alimenta um dos rolamentos do compressor, levando a falha do mesmo.

Dias antes o helicóptero havia apresentado um aviso luminoso, indicando a presença excessiva de limalhas de ferro no óleo do motor. Esse aviso aponta possíveis problemas no motor, que precisa ser revisado.

O Cenipa ainda apontou que o helicóptero foi proibido de voar em 2017 porque a vistoria do compressor estava vencida. Uma peça nova foi instalada, porém a antiga voltou para o mesmo lugar meses depois, de acordo com relatórios de manutenção. A ANAC e os investigadores do CENIPA acompanham esses dados através do número de série dos componentes.

Os erros de manutenção levaram a um rompimento do eixo de ligação do rotor da cauda, tirando também a potência do mesmo.

A investigação ainda apontou que no mesmo dia do acidente o helicóptero voou até uma oficina em Campinas, para verificar o aviso luminoso já citado, porém a manutenção não foi realizada, e o Bell 206B foi em seguida buscar o Boechat.

O helicóptero estava indo de Campinas para São Paulo, e pousaria na TV Bandeirantes, no Morumbi, Zona Sul de São Paulo. O acidente ocorreu no dia 11 de fevereiro de 2019.

Fontes: G1 / Folha SP / O Globo / Cenipa

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