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Presidente manifesta preocupação com fusão entre Embraer e Boeing

O presidente da República, Jair Bolsonaro, manifestou nesta sexta (4), preocupação com a última proposta de fusão entre a Embraer e a Boeing. Ele disse que, de acordo com a última versão do contrato, informações tecnológicas podem ser repassadas à empresa de aviação norte-americana. Bolsonaro não detalhou que tipo de dados poderiam ser acessados, mas falou em proteção do patrimônio nacional.

“Seria muito boa essa fusão, mas não podemos… Como está na última proposta, daqui a cinco anos tudo pode ser repassado para o outro lado. A preocupação nossa é essa. É um patrimônio nosso, sabemos da necessidade dessa fusão, até para que ela (Embraer) consiga competitividade e não venha a se perder com o tempo”, afirmou o presidente após cerimônia no comando da Aeronáutica, na Base Aérea de Brasília.

A Embraer aceitou vender 80 por cento de sua divisão de aviação comercial, a principal da empresa, para a Boeing. Um dispositivo do acordo permite que a Embraer possa mais adiante vender os 20 por cento restantes da parceria à Boeing.

Mudança

Essa foi a primeira vez em que Bolsonaro hesitou em relação ao acordo. Em novembro, o então presidente eleito afirmou ser favorável à venda da companhia brasileira. O vice-presidente, general Hamilton Mourão, também no fim do ano passado, havia comentado que o aval à transação poderia sair rapidamente. A afirmação foi feita após o documento com detalhes do acordo ser entregue pelas empresas ao Palácio do Planalto, em 17 de dezembro. “O negócio pode ser decidido de comum acordo (entre o então presidente Michel Temer e Bolsonaro, que ainda não havia assumido o cargo). Se os dois conversarem e concordarem. Aí, já podem fechar isso”, disse Mourão à época.

Segundo fontes próximas à negociação, a Embraer esperava que o aval fosse dado ainda por Temer. Do lado da Boeing, a aposta era que só sairia no governo Bolsonaro. Executivos da companhia brasileira, porém, têm mantido contato com a equipe do novo presidente desde as eleições. Até agora, a empresa não foi informada de nenhum entrave na avaliação do governo. Procuradas, Embraer e Boeing não comentaram o assunto.

Dono de uma ação especial na Embraer, a chamada “golden share”, o governo federal tem até 16 de janeiro para chancelar o acordo. Depois, a venda ainda precisa ser aprovada por acionistas e órgãos antitrustes. Há uma preocupação com possíveis complicações no tribunal da China. No Brasil, nos EUA e na Europa, a tendência é que o aval saia rapidamente.

Fontes: Estadão / Jornal do Brasil/Agências

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