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Índios permitem liberação de três aviões retidos em Terra Indígena em RR

Servidores e as aeronaves da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) em Roraima, que estavam retidos na região de Surucucu, em Alto Alegre, Norte do estado, começaram a ser liberados na tarde desta terça-feira (18). Os 17 servidores e as três aeronaves estavam detidos desde domingo (16) após um protesto contra a morte de duas crianças indígenas em 10 dias.

Quatro servidores já voltaram a Boa Vista em uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB), após intervenção do Pelotão Especial de Fronteira do Exército Brasileiro, informou a assessoria da Ala 7 da Base Aérea de Boa Vista. Os outros 13 servidores da Sesai devem chegar na quarta (19), informou o coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (Dsei-y), Rousicler de Jesus Oliveira.

Rousicler de Oliveira não soube informar as condições da negociação que garante o retorno dos servidores e das aeronaves. A reportagem tentou contato com a Sesai, mas as ligações não foram atendidas.

“Não tem tempo hábil para fazer a liberação ainda hoje (18). Amanhã deve ser mandado um avião [à área indígena] com os pilotos para trazer os servidores à capital. O horário não foi informado”, explicou o coordenador do Dsei-y.

Em nota, o Ministério da Saúde informou que participaram da negociação dois presidentes de entidades indígenas e um trabalhador do Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami da Secretaria Especial de Atenção à Saúde Indígena, do Ministério da Saúde.

O MS afirmou ainda que os servidores que cumprem escala de trabalho no Polo-Base continuarão o atendimento aos indígenas normalmente, sendo que parte da equipe já poderá retornar na manhã desta quarta-feira.

Impasse em terra indígena

Os funcionários da Sesai são mantidos no local desde domingo, quando 15 comunidades de índios Yanomami protestaram contra a morte de duas crianças indígenas dentro de 10 dias. Os indígenas cobram melhorias no atendimento médico às comunidades e também a exoneração de Rousicler de Jesus Oliveira, que não estaria atendendo às demandas das comunidades, segundo eles.

Pela manhã, Rousicler disse que a Polícia Federal e a Funai foram chamadas para intervir pela liberação dos 17 servidores e das três aeronaves detidas na região.

“Estivemos na Advocacia Geral da União (AGU) ontem (17) e hoje fomos à PF e Funai, conforme orientação da própria AGU”, detalhou, acrescentando que uma liderança indígena e um funcionário do Dsei-y foram enviados à região. “Os servidores estão todos bem”, garantiu.

Empresa de transporte assumiu antiga Paramazônia

A antiga Paramazônia Táxi Aéreo, que prestava os serviços de transportes para as comunidades indígenas Yanomami, esteve envolvida em adversidades no ano passado. Dentre elas, um acidente aéreo na terra indígena em que estava o piloto Elcides Rodrigues Pereira, o “Peninha”, e o técnico de enfermagem Ednilson Cardoso. Os dois sobreviveram a um pouso forçado no Rio Catrimani, porém houve complicações no momento do resgate feito por um helicóptero pilotado pelo dono da empresa na época, Arthur Nogueira Neto.

No mesmo ano, o diretor foi condenado por improbidade administrativa, em que uma denúncia do Ministério Público de Roraima (MPRR) apontou que a empresa foi favorecida em licitações de prestação de serviços para o governo do estado no período de 2006 a 2011. Após os eventos, a empresa foi vendida para a uma nova gestão, que mudou a razão social e criou a Voare Táxi Aéreo.

“Fazemos o transporte do pessoal que atende na comunidade indígena e também fazemos o recolhimento de pessoas doentes. Mudaram os sócios, os antigos foram embora e compramos a empresa e mudamos o nome porque a Paramazônia estava muito queimada. Colocamos nova administração, novos motores nos aviões, hélices, fizemos toda uma nova estrutura. Temos autorização da ANAC [Agência Nacional de Aviação Civil] e está tudo regulado”, encerrou a gestora da Voare, Helena Lima.

Empresa de helicópteros não foi encontrada

Após a confirmação que os helicópteros são prestados pela empresa Icaraí Táxi Aéreo, a equipe de reportagem do Folha BV tentou entrar em contato para saber um pouco mais da situação. Há pouca informação sobre a empresa na internet e o único contato encontrado foi através de rede social da empresa no Paraná, que faz passeios turísticos na região.

Questionados sobre o assunto, foi respondido apenas que “essa parte tem que ver com o pessoal responsável pelo Note. Desconheço o assunto”. Perguntados se poderiam repassar algum outro contato da empresa para tratar sobre isso, não responderam.

Fontes: G1 / Folha BV

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