
A LATAM inaugurou na quarta (20) o voo LA8208, de Guarulhos (SP) para Mount Pleasant, nas Ilhas Falkland, com escala na cidade argentina de Córdoba. O primeiro voo foi realizado pelo Boeing 767-316(ER) prefixo PT-MSY.
Protesto
Veteranos de guerra protestaram em frente ao Ministério das Relações Exteriores, em Buenos Aires. O grupo manifestou repúdio pela decisão da justiça que deu permissão para a abertura da nova rota. O voo foi inaugurado no dia 20 de novembro, data em que se celebra o “Dia da Soberania Nacional” na Argentina.
Veteranos e familiares de ex-combatentes da Guerra das Malvinas (1982, contra o Reino Unido) repudiam a inauguração de novo voo para as ilhas no dia da soberania e a política internacional do governo Maurício Macri.
Argentina pede discrição ao Brasil
O governo argentino pediu que nenhuma autoridade federal brasileira comentasse ou prestigiasse o lançamento de novo voo ligando São Paulo às ilhas Falklands, conhecidas no país vizinho como Malvinas.
O motivo é o temor de uma crise política decorrente do estabelecimento da rota, que terá duas escalas mensais, uma de ida e outra volta, na cidade argentina de Córdoba.
O pedido, informal, chegou por meio de canais diplomáticos e foi aceito pelo Itamaraty.
A preocupação de Buenos Aires é que a eventual presença de políticos em eventos relacionados à inauguração do serviço passasse a impressão de que o Brasil endossa a soberania do Reino Unido sobre as ilhas.
O Brasil reconhece o pleito argentino sobre o arquipélago e chama as ilhas de Malvinas. As Falklands foram objeto de uma guerra entre argentinos e britânicos, em 1982.

Em decadência política, a ditadura argentina liderada pelo general Leopoldo Galtieri invadiu o arquipélago. A então primeira-ministra britânica Margaret Thatcher decidiu enviar uma força naval para retomar o território, o que conseguiu 74 dias depois da invasão.
Como resultado, morreram 649 argentinos, 255 britânicos e três ilhéus. A ditadura argentina entrou em colapso a seguir. Pessoas que acompanharam o caso na diplomacia brasileira dizem que não havia nenhuma perspectiva de tal endosso de políticos ao lançamento ou ao voo em si, o que mostra o quão sensível ainda é a questão das Falklands no vizinho, em especial neste momento – o governo de Mauricio Macri foi derrotado nas urnas pelo peronista Alberto Fernández em outubro.
A Latam opera desde 1999 um voo semelhante, que sai de Punta Arenas (Chile) e faz a mesma escala dupla mensal na argentina Río Gallegos.
À época, houve uma chuva de críticas sobre o que seria um reconhecimento indireto de que as ilhas são britânicas. As Falklands foram incorporadas ao Império Britânico em 1833, e são hoje um território ultramarino de Londres.
A inauguração da rota paulistana foi duramente criticada, especialmente por políticos peronistas como Rosana Bertone, a governadora da Província da Terra do Fogo. O voo inaugurado em 1999 e o novo foram estabelecidos em governos de oposição ao peronismo – Carlos Menem antes e Macri agora -, mas os governos peronistas dominados pela família Kirchner entre eles nada fizeram para suspendê-los.
Ilhas autossuficientes
Hoje, as ilhas são autossuficientes. Têm um Produto Interno Bruto anual equivalente a R$ 540 milhões, oriundos da pesca, da lã de suas 500 mil ovelhas e do turismo, mas o petróleo é o que chama atenção: as reservas sob o mar estão estimadas em 1 bilhão de barris – hoje o Brasil todo tem 12 vezes isso.
A frequência obrigará o visitante a passar ao menos uma semana em Stanley, a capital e única cidade das Falklands, se quiser pegar o voo de volta na mesma rota. No site da Latam, cada perna da viagem começa em R$ 2.259.
