Internacional

Air France interessada na Aigle Azur e seus slots

As companhias Air France, Vueling e Transavia se disponibilizaram a oferecer “tarifas preferenciais” para os clientes afetados pela crise da Aigle Azur, que cancelou todos os voos previstos a partir desta sexta-feira (6) à noite. As anulações acontecem desde agosto e se generalizaram nesta semana, depois que a empresa entrou com pedido de recuperação judicial, na segunda (3).

Milhares de passageiros brasileiros são atingidos, já que o trajeto entre Paris e Campinas também foram suspensos. Sem dinheiro, a Aigle Azur afirma que não conseguirá indenizar nem sequer repatriar os viajantes que já haviam utilizado a passagem de ida para algum dos destinos que eram oferecidos, a maioria na África. Os últimos 44 voos partiram nesta sexta (6) do aeroporto de Orly, num clima de desolação tanto de funcionários, quanto de passageiros.

“Se você tem um voo de volta depois de 6 de setembro, de qualquer aeroporto de origem, este voo está cancelado. Você deverá adquirir uma outra passagem de volta”, diz a mensagem que milhares de passageiros receberam. “Milhares de pessoas estão bloqueadas hoje, principalmente na Argélia e no Mali”, declarou o secretário de Estado dos Transportes, Jean-Baptiste Djebbari.

Diante dos transtornos, o governo francês interveio para negociar, junto a outras companhias, alternativas para levar para casa milhares de clientes da Aigle Azur. A prioridade é viabilizar o retorno de passageiros bloqueados na Argélia e em Portugal.

Empresas interessadas

Paris também se envolveu nas negociações para que um comprador da empresa concretize a aquisição, possível até segunda (9) , conforme o prazo estabelecido pela justiça comercial. O ministro da Economia da França, Bruno Le Maire, afirmou que existe “uma oferta principal” de compra, mas não deu mais detalhes. “Quero que dê certo e não quero enfraquecer as discussões que estão em curso”, justificou.

Segundo a imprensa francesa, os compradores potenciais são Gérard Houa, um acionista minoritário da Aigle Azur, a Air France ou ainda Lionel Guérin e Philippe Micouleau, ex-dirigentes da Air France.

Voos transatlânticos low-cost: aposta arriscada

Os problemas financeiros da companhia aérea já se arrastam desde o início do ano e levaram até à devolução de alguns aviões. A escalada de desentendimentos entre acionistas resultou na “desconfiança e deterioração do clima social” na Aigle Azur, e motivou agora o pedido de insolvência, admitiu a companhia num comunicado interno, divulgado pela imprensa francesa.

A empresa é uma das mais antigas da França: fundada em 1946, transportou quase dois milhões de passageiros em 2018, com faturamento de € 300 milhões no período. O que a levou à beira da falência em tão pouco tempo foi a aposta nos voos low-cost, inclusive nos trajetos transatlânticos, como ao Brasil. “Passamos a fazer Paris-Berlim por € 30, mas o nosso modelo econômico era baseado em tarifas de € 300 para ir para a Argélia”, revelou um piloto ao jornal Libération.

Outra companhia europeia, a Norwegian, passa por problemas semelhantes. A Air France chegou a se seduzir pelo desafio, com a Joon – que fechou apenas um ano depois de iniciar o serviço a baixo custo e fazia o trajeto Paris-Fortaleza.

A Aigle Azur tem 11 aviões e 1.150 funcionários, que acompanham com apreensão o desenrolar dos acontecimentos. Na quarta (4), o diretor-presidente Frantz Yvelin pediu demissão.

Fonte: AFP

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